Experimentei a suíte interativa de um motel

A gente troca links – de coisa séria, engraçada, safada. E certo dia ele me mandou uma matéria sobre essas suítes interativas que existem em alguns motéis. Eu ainda nem escrevia neste blog, mas sempre gostei de falar sobre sexo, especialmente com ele, e o assunto rendeu entre nós.

Nos dias seguintes, comentávamos como deveria ser a experiência de ocupar um desses quartos onde há uma janela para a suíte ao lado. Será que rolava mesmo de desconhecidos verem e serem vistos ou só casais que se conhecem? E se o casal do outro lado fosse esquisito, broxante? Ambos achavam a ideia de se exibir e bancar voyeur interessante, mas até onde iríamos? O texto dizia que era possível passar de um quarto para outro, concordamos que tínhamos curiosidade e vontade apenas pela  fase um, com o vidro no meio.

Porque essas suítes funcionam assim: a janela é controlada por um sistema na cabeceira da cama. Você aperta o botão “quero interagir” e espera a resposta do outro quarto. Enquanto isso, a persiana automática está completamente fechada. Quando o outro casal também aciona o botão, torna-se possível abrir a cortina. Outros botões sinalizam o desejo de interagir mais profundamente: com consentimento mútuo, pode-se abrir a porta ao lado da janela e ali há buracos onde é possível colocar mãos e outras partes do corpo para tocar e se tocado. Em um último estágio, esta porta pode ser aberta ao trânsito de um quarto para o outro.

 

suíte interativa
Crédito da foto Divulgação/Point Motel

 

Por meses, ensaiamos conhecer um desses motéis que fica em uma estrada da Grande São Paulo. Até que em uma quinta-feira, por volta de 20h30, finalmente deu certo. A entrada do motel parecia cenário de filme de suspense, escura e completamente deserta. Ao estacionarmos na garagem da nossa suíte interativa, percebemos que a vaga ao lado estava ocupada também. Nossa noite de ousadia prometia.

Ficamos lá até 23h30 com o botão de interação ligado e NADA. Não sabíamos se os ocupantes da outra suíte haviam ido embora ou se simplesmente não queriam compartilhar nada conosco. Em determinado momento, desencanamos, transamos gostoso e voltamos pra casa.

Saímos com a sensação de que havíamos sido ingênuos. Os casais provavelmente combinavam o showzinho, em sites de swing, em festas muito loucas. Foi frustrante, mas conseguimos rir da nossa malfadada tentativa.

Mais de um ano depois, em uma fase super estressante das nossas vidas, onde o bom humor, a cumplicidade e a sensualidade havia perdido espaço para a ansiedade, a tensão e a preocupação, ele começou a sugerir de tentarmos novamente a suíte interativa daquele motel. Eu não estava no momento mais safado da minha vida, mas, por isso mesmo achei que apimentar nossa relação poderia ser ótimo.  Não é que nossa vida sexual tinha caído na mesmice. Ainda era das melhores, intensa e variada, mas fazia tempo que não aprontávamos.

Desta vez, fomos em uma quarta-feira, na semana entre o Natal e o Ano-Novo. Chegamos por volta das 21h30. De cara, deu pra sentir que talvez a sorte estivesse do nosso lado. Fila de três carros na entrada. Muitas suítes ocupadas, inclusive, a nossa vizinha.

Entramos, nos despimos, acionamos o botão e começamos a nos agarrar. Foi quando eu tinha acabado de gozar em um 69 que  percebemos que estávamos liberados para espiar. Abrimos a janela e, confesso, lamentei não ter feito um esquenta em um bar antes. Fiquei um pouco envergonhada, não estava tão solta como sei que posso ser. Continuei chupando o pau do meu namorado, de costas para a janela, e pedi pra ele me contar o que estava vendo: “Estão fazendo a mesma coisa que a gente”.

Enfim, olhei. De fato, a garota chupava o pau do cara, iluminados pela luz que vinha do banheiro. Ele parecia ter a nossa idade e trazia uma aliança no dedo. Ela era mais nova, tatuada. Ambos atraentes.

Achamos engraçado que eles parecia espelhar nossas posições. Se transávamos de quatro, lá iam eles e mudavam pra mesma posição. Depois, coloquei minhas pernas no ombro do gato e ela fez o mesmo. Sem parar o que estávamos fazendo, observávamos. Eles a nós.

Em determinado momento, ela saiu da cena, e ele ficou assistindo a gente e batendo punheta alguns minutos.

Assim que ele gozou no rosto dela, fecharam a persiana. Me senti acordando de um sonho erótico.

No trajeto pra casa, concordamos que:

– A gente acaba ficando meio disperso, não sabe se olha os outros ou se se concentra na nossa transa.

– Não houve verdadeiramente interação, foi quase como assistir a um vídeo hiper-realista. Eles nunca fizeram nenhum gesto ou tentaram algum tipo de comunicação conosco e vice-versa. Eram só exibição e voyeurismo mesmo. Cada um foi a pornografia do outro.

– Não foi a coisa mais excitante que já fizemos, mas faríamos de novo, eventualmente.

– Da próxima vez, vou testar assistir primeiro e transar depois e não fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Você já experimentou uma suíte interativa? Conte pra mim: carmenfaladesexo@gmail.com

 

 

 

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