Ser liberal é ser cúmplice

Por carmen

Cumplicidade é uma palavra-chave em um relacionamento sexual. E se o casal curte práticas mais  liberais, a cumplicidade pode e deve ser elevada ao quadrado. A etimologia do termo é interessante, vem de “unido, junto” e também de “complicado, enrolado, enroscado”. Não é assim o sexo?

E não podemos esquecer que também é usado nos tribunais, para a ação de colaborar com algo ilícito, com um crime. E não é assim que, muitas vezes, o sexo é julgado?

O depoimento do Danilo – motivado ainda pelo ranking do tesão e a fantasia de ser corno – apresenta um casal heterossexual, liberal, cúmplice. Entre eles, há franqueza, mesmo que, por vezes, doa. Há dificuldades, com aceitação e diálogo. De prazer – a dois, a três, a quatro, em atos de generosidade e conexão.

 

masturbação
Crédito da foto Pinterest

 

“Ontem caí no seu blog e achei bacana a iniciativa do ranking do tesão. Confesso que apesar de adorar listas de gostos culturais (filmes preferidos, álbuns preferidos…), nunca havia tentado formular uma sobre o que me excita. Por isso, tratei sua proposta como um desafio.
Só pra contextualizar, sou homem, heterossexual, 38 anos, num casamento de sete anos (somado ao namoro, uma relação de 12 anos com a mesma parceira). Nesse meio tempo, tivemos percalços e experiências.
Ao descobrir que ela me traiu com outros homens, há uns dois anos, por sentir-se insatisfeita sexualmente, senti-me na obrigação de revelar a ela que eu também já havia dado minhas ‘puladas de cerca’ – algo que, pelo meu comportamento pacato, ela jamais suspeitou.
Choramos muito, brigamos muito, ficamos magoados, mas superado o problema, nossa cumplicidade aumentou.
Fizemos algumas experiências juntos – impensáveis cinco anos atrás. Dois ménages femininos (com garotas de programa – um delicioso e outro curioso), um ménage masculino (com um cara que ela escolheu – um desastre que quase custou o casamento) e duas trocas de casal (a primeira ruim pra ela e boa pra mim, a segunda exatamente o contrário).
Dito tudo isso, faço a lista do que me dá tesão:
1. Trocar provocações de adultério ao transar com minha mulher, perguntando se ela curtiu o pau de outros caras, ela me questionando se gostei de penetrar outras mulheres.
2. Transar com uma mulher madura (acima dos 45), casada e mãe, que num misto de medo e excitação, trai o marido pela primeira vez.
3. Fazer sexo oral a minha companheira com outra mulher a chupando ao mesmo tempo (uma língua no clítoris, outra na vagina e as duas línguas se encostando).
4. Transar com uma mulher enquanto o marido/namorado dela nos observa, como um expectador silencioso, enquanto eu a seduzo, beijo e possuo na cama.
5. Ver minha mulher transando com outro homem enquanto seguro a mão dela, e ela sempre me olhando nos olhos, apaixonada por mim.
6. Transar com outra mulher enquanto minha esposa assiste, me dizendo o que fazer, como devo penetrá-la, beijá-la.
7. Participar de uma troca de casal, onde posso ver minha mulher com a outra e depois trocar olhares com ela enquanto transamos com o casal.
8. Espiar uma mulher, preferencialmente conhecida (amiga, colega de trabalho) se masturbar, e/ou poder assistir um show de masturbação feminina particular, só pra mim.
9. Descobrir os hábitos sexuais e fantasias de conhecidas (amiga, colega de trabalho), como desejos realizados e não, frequência e maneiras de masturbação.
10. Acordar e perceber que estou recebendo sexo oral de uma mulher.
Alguns dos itens eu realizei, outros permanecem apenas como fantasias – e talvez permaneçam assim para sempre.”