Não dá para esquecer o pior sexo das nossas vidas

Por carmen

Se você me perguntar qual foi a melhor transa da minha existência, eu saberei pontuar com quem foi, em que época da vida, descrevei algumas cenas, sensações, mas vai ser impossível dizer com exatidão em qual data, onde estava, qual foi o “script”… Porque foram várias boas preliminares, gozadas e trocas que gostaria de ter congelado no tempo e que, somadas, fazem daquele amante, daquela fase sexual, os “hors concours”.

Agora me pergunte a pior, a mais micada, a que teria valido mais a pena ter ficado no mano a mano, e eu lhe dou detalhes como cor do lençol, dia da semana, temperatura que fazia em São Paulo, cada mau movimento do balé dos corpos – que de gracioso pouco tinha. Porque fodas ruins são únicas, exclusivas, não se misturam nas lembranças, destoam como malha de cashmere no verão carioca e gargalhada em meio à missa.

Pensei nisso quando vi, semanas atrás, esta enquete da Vice: Mulheres contam o pior sexo de suas vidas em 10 palavras. Adoraria ter participado e me toquei que teria sido bem mais fácil responder isso do  a pergunta: seu melhor sexo em 10, 20 ou 30 palavras.

Para matar minha vontadinha, vou contar a minha tragédia sexual – que nem é muito trágica, na verdade, não há abuso ou violência como no caso das meninas que contaram: “Brochou, reclamou, escondeu a chave pra eu não ir embora”, ou “Errou o buraco e fiquei uma semana cagando com dor.”

Para ser sincera, minha história é bem “clichezona”. E vou me permitir mais do que 10 palavras, já que sou a dona dessa p. toda. 😉

 

gato
Crédito da foto Pinterest

 

Ele era um intelectual. Eu deveria desconfiar, cara cabeçol de 24 anos para mandar bem, precisa fugir muito do estereótipo. E, sabemos, existe certa verdade nos estereótipos. Ele morava com os pais. Eu morava com minha mãe. Ele teve a maravilhosa ideia de me levar ao pet shop do irmão veterinário, depois do expediente, para me comer em um colchão coberto com um lençol rosa velho e áspero que improvisou no chão da loja.

“Ah, Carmen, uma aventura juvenil!”, você dirá.

Sim, teria sido, mas:

– Havia pelos de gato e cachorro pelo chão.

–  Ele passou — o que pareceu para mim — horas no “bate-fofo”, como diz uma amiga minha. É isso mesmo que você pensou: nunca endureceu de verdade, aí ficava dando aquelas escapadas, sem pegar ritmo.

– Era verão. Não havia ar-condicionado ou ventilador. Ele transpirava muito. Uma gota de suor da testa dele caiu dentro do meu olho em meio à transa. Ardeu e deu nojinho.

–  Não gozei e, assim que acabou, descobri que era alérgica a pelos de animais.

Conte a sua pior foda também para carmenfaladesexo@gmail.com