A viúva negra de Varsóvia

Por carmen

“Estávamos viajando a trabalho quando nos conhecemos na Polônia, cada um a serviço de seu país. Eu, do Brasil; ela, da Colômbia. Nossa comitiva era feita de representantes da América Latina para uma reunião sobre os rumos do Mercosul.

Ela falava em perfeito português, o que observamos enquanto ela nos questionava alguns pontos da nossa apresentação. Fiquei impressionado. Meu portunhol só não ficava devendo no sotaque: eu cantava e imitava o jeito argentino-italiano de falar e corria atrás das correções em tempo real. Perdón, perdón!, era o que eu repetia sem parar.

Mas aqueles lábios carnudos, aquela maquiagem perfeitamente exagerada, aquele perfume marcante, aqueles cabelos fartos e pesados e longos, aquela mulher me fazia querer falar e falar e falar meu horroroso portunhol. Tudo pra ter a atenção dela, a tréplica dela, as correções delicadas que ela fazia com meus falsos cognatos.

Meu relacionamento aberto me dava muitas possibilidades. Veja, eu amo a mulher com quem me casei – no papel, sim, apenas por questões burocráticas da vida civil. Mas desde sempre entendemos que nossa relação seria livre, leve, solta, amarrada, junta e misturada. Alguns tropeços aqui e ali. Alguns erros na escolha de quem levar pra cama. Alguns vacilos na entrega emocional. Mas tudo acertado e ajustado com o tempo.

E eu estava ali para a apresentação de um relatório que me tirou da rotina de 7 horas mais 1h de almoço. Estava exausto. Agora era o grand finale, o ápice de 30 dias de pesquisa e reuniões sem fim. De happy hours canceladas. Fodas (com minha esposa) adiadas. E a viagem à Polônia me trouxe um tesão na hora. Eu sabia que encontraria deliciosas oportunidades pra gozar sem compromisso.

O compromisso se limitava a fazer o serviço direito, aplicar minha vasta e constante experiência. A verdade é que eu me orgulhava de ser um bom chupador. Tenho muitas amigas na repartição que reclamam de homens que não entendem nada de buceta. Sempre fique atento às histórias pra testar na cama meus aprendizados. Ah, como sou grato a elas!

Agora eu estava em silêncio, hipnotizado por aquela boca que eu só pensava em enfiar minha língua – e minha piroca. Senti meu pau entumecer. Segurei a onda, aquele não era o lugar pra isso. Fim da reunião, fomos levados de volta ao fretado da comitiva. Ar condicionado, bancos enormes e confortavelmente acolchoados, parecia classe executiva. Me sentei no fundão, ainda excitado pelos estímulos externos.

Senti um calafrio quando a vi subir as escadas e aparecer no corredor. Sorriso farto. Peitos fartos. Quadris fartos. Eu não estava me aguentando de tanto tesão. Mandei todos os pensamentos positivos pra que ela se sentasse do meu lado, só pra ver se funcionava. Quase. Ela sentou-se na mesma fileira, mas do lado oposto.

 

pegada
Crédito da foto: Collected Sex

 

Busão partiu para nosso próximo rumo. Varsóvia ao meio-dia era como uma cidade grande qualquer: agitada, lotada de carros, muito trânsito na região central.

Já com uma fome de leão, resolvi me distrair com meu tablet. Comecei a navegar e concentrar meu foco ali, quando percebi alguém se acomodando ao meu lado. Foram segundos entre a torcida pela colombiana e a realidade da argentina que, de fato, foi a que sentou-se ali. Tudo bem. Vida que segue. Não se pode ter tudo. E…

– Su nombre?

– Ah, olá, que tal! Sou Vila. E vos?

– Soy Catarina, de Argentina. Usted é brasileño, verdad?

Eu ainda não tinha reparado nela. Uma mulher longilínea, perfil mais moderninho, bem menos curvas, cabelos curtos e geométricos, mais interessante que gostosa. Simpática e boa papo. Ela roçava a perna dela em mim e recuava. Dava risadas enquanto apertava suavemente meu braço. Até que se inclinou sobre mim pra me mostrar algo na rua. Reparei que tinha peitos deliciosos. Eu estava faminto. Almoço. Buceta. Peito. Boca. Trânsito. Resolvi encará-la. Reparar nos sinais. Sua pele coberta de sardas suaves. Olhos esverdeados que se esquivavam quando encontravam os meus. De repente, a mão que apertava meu braço ficou um tempo a mais. Retribuí: agora era minha mão direita que se apoiava em sua perna, suave e rapidamente, testando os limites. Até onde aquela dança nos levaria?

Já no restaurante, a fila de saída do ônibus contribuiu pra me localizar entre a colombiana e a argentina na enorme mesa da comitiva. Aquela me trazia meus sonhos eróticos impossíveis, enquanto esta me dava a possibilidade real de uma foda internacional. A colombiana não me dava a menor bola. Enquanto a argentina puxava papos sobre o que você quisesse e animava a conversa ao redor. Comemos, bebemos vinho branco. Voltamos ao fretado para os mesmo lugares.

Ela nem esperou o veículo dar partida e, um pouco inebriada, me convidou pra subir ao seu quarto no hotel em que estávamos todos hospedados. Rindo, disse que queria me mostrar uns relatórios.

– Eu adoro um relatório, respondi, facinho.

A dança dos toques e apertos e sorrisos e risadinhas continuou até que no lobby, ela me puxou pelo braço. Seguimos por um corredor lateral e, já no elevador, ela me agarrou. Aquelas pernas longas… com uma delas, se equilibrava, enquanto me prensava com a outra, como um bote em um duelo de tango. Nos atracamos ali até o elevador parar no 11o andar. Altiva, me guiou até seu quarto. Na entrada, uma pausa desajeitada: ela não encontrava o cartão que liberava a porta.

– Tranquilo, eu dizia, em bom portunhol, no passa nada!, emendando com uma passada suave de mão na bunda dela, subindo pelas costas até a nuca.

Ouço o barulho do elevador e, quando olho, a colombiana! Seu olhar fulminante me confundiu, ao me ver em situação duvidosa com a argentina. Dei de ombros, como se eu dissesse claramente que se ela tivesse me dado alguma abertura, estaríamos os dois na porta dela.

Cartão a postos, entramos. Ah, aquela argentina! Buceta lisa, barriga lisinha, pele lisa, que pele, que pele! Minhas mãos brutas deixaram vergões e roxos por aquelas pernas, quadris, bunda. Enfiava meu pau com força, enquanto ela me indicava que era isso que ela queria: violência! Me chupou como uma cadela. Me dizia palavras que ainda não faziam parte do meu vocabulário. Palavrões que, só depois, reconheci alguns na boca dos cabróns nos personagens de “Narcos”. Cada palavra daquela me deixava de pau duro, de pau gigante. Gozei naquela boca duas vezes. Passamos a tarde nus naquele quarto de hotel, bebendo água de coco com vodca, dançando salsa e fingindo passos de tango. Caímos em sono profundo pra, no meio da madrugada, ela me enxotar dali.

– Soy viuda. Viuda negra. Sale de aquí ahora!

Me masturbei ainda no meu quarto sozinho, pensando naquela frase.”