Se houvesse uma operação Rola a Jato?

Por carmen

“Antes de me tornar praticante da meditação indiana Vipassana, eu era completamente solta na vala, como dizem. Não que hoje eu seja qualquer tipo de santa, mas pra chegar ao ponto de conhecer minha ‘ppk’, o esquema é todo outro do que já foi nas minhas muitas vidas vividas pelo interior de São Paulo, pela capital, pelo Reino Unido e pela promíscua… Brasília.

Brasília, essa cidade corrompida desde suas entranhas, foi a que mais me deleitei dentre todos os meus deleites luxuriosos. Estava me lembrando disso quando passou na minha timeline uma notícia sobre a “madame de Hollywood” Heidi Fleiss, que montou uma poderosa rede de prostituição entre as estrelas americanas. Bem, não foi o meu caso, é claro. Mas bem que eu poderia ter tido essa ideia na época.

 

Crédito da foto: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Éramos três amigas estudantes de Relações Internacionais, cada uma com um propósito distinto: Elisângela queria trabalhar no Itamaraty. Era amiga de vários servidores diplomatas baseados na cidade porque fazia questão de frequentar as mesmas baladas e festinhas privadas em que esse povo circulava. Em uma das festas não-oficiais que aconteciam depois de eventos oficiais, ela conheceu Pinóquio. Era assim que ela chamava aquele homem poderosérrimo com quem saiu apenas por conta da curiosidade. O cara não era nem de longe o tipo dela. Mas e daí? Drogas e rock’n’roll davam conta do recado.

Cristiane estava na metade do curso de RI e a ideia dela também era trabalhar no Itamaraty, mas apenas como porta de entrada: tinha planos de começar a carreira ali, mas queria mesmo era se envolver na política. Por isso, cavou até conseguir conhecer alguém no Congresso. De novo, a oportunidade estava nas festas não-oficiais, encontros em casarões enormes de arquitetura sessentista, com pastilhas que marcavam o piso ao redor da piscina, desenhada em curvas. Ali ela se deu mal: rolou paixão. E no Congresso, naquela época, só dava homem casado, independentemente da idade. Eles eram de faixa etária parecida. Até hoje ele anda por lá, todo charmoso e grisalho.

Já eu queria dar pra todo mundo. Meu objetivo era trabalhar com Direitos Humanos e amor livre era o que eu mais tinha. Os desafios ficavam por conta da minha vaidade: não me contentava com os diplomatas concursados. Eu queria o chanceler. Queria conhecer as taras, as mentiras, as artimanhas daquele ministro homem de família [risos irônicos] pra depois contar minúcias na mesa do bar.

– Ele usa viagra porque o pinto dele já não sobe sozinho de jeito nenhum, eu dizia enquanto folheava o jornal e apontava pra foto dele. Cheiroso, só usa Allure, perfume da  Chanel.

Elisângela era a que se aventurava mais:

– Esse aqui adora levar puta pra cama comigo. Fica se masturbando enquanto a putinha linda, linda e eu nos beijamos loucamente e, quando está pra gozar, cai de boca na gente. Faz parte da Bancada Evangélica.

Ah, se tivesse uma operação Rola a Jato…”

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