Tesão parcelado em 12 vezes

Por carmen

Ele era um pé-rapado quando nos conhecemos. A gente fazia cursinho pré-vestibular juntos, mas quem já tinha carro era eu. Meu tesão, no início, era quase adolescente. Pra minha alegria, meus hormônios fluíam que era uma beleza. Era só ele encostar em mim que eu já ficava úmida. Mas com o tempo, buscá-lo, levá-lo, pagar pelo cinema, pagar pelo restaurante foi me des-atraindo a ele. Motel ele tinha que se virar, porque pagar por isso, pra mim, já era demais. Se vira! Me chame de machista, do que quiser. Mas pelo motel eu não pagava.

Ele passou no vestibular para Medicina antes de mim. Começou a residência. Nossa relação era cheia de idas e vindas, desde os tempos do cursinho. Éramos a foda segura de cada um. O namoro firme, só que não. Nossas famílias se conheciam e estavam acostumadas aos nossos términos e recomeços. Depois de sei lá quantos meses sem nos vermos, ele me procurou quando soube que eu passaria as férias de julho em Salvador.

Peitoral mais definido de quem estava pagando por uma boa academia, vestido com uma camisa tipo polo da Lacoste agarradinha, calças chinos bem-cortadas de cor pastel. Ali estava aquele meu tipo, o médico mauricinho, o médico coxa com barbinha rala e corte milimetricamente moderninho. Nada naquele perfil estava fora do lugar.

Tudo foi planejado por ele: me buscou em casa porque queria me mostrar o carrão SUV que agora tinha. Me levou pra comer o camarão mais caro da cidade. Brindamos com um Veuve Cliquot na temperatura certa, que veio com cristais Swarovski nas taças – uma derrapada encantadora, porque sou levada por um clichê de elite decadente. Ele não estava me pedindo em casamento. Ele estava testando meu tesão que, combinado ao meu bom humor, poderia nos render a melhor foda de todos os tempos. A cada passo, eu me sentia cada vez mais lubrificada, a excitação em níveis bem altos.

 

Crédito da foto: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Quando ele me disse que tinha resolvido ser cirurgião plástico, quase morri: meu namoradinho ~fiel~ seria minha salvação econômica do futuro. Porque ai dele se me cobrasse uma cirurgia corretiva sequer. Ele sorria, dava gargalhadas. Reparei na brancura daqueles dentes e, de repente, na falta de rugas.

– Ah, vá, Ângelo, jura que você já colocou botox? O que deu em você, criatura?!

Rimos gostoso.

Fomos a um hotel, porque ele queria algo top. Top. No rack de apoio próximo à porta do quarto, um pacote da Victoria’s Secret.

– É pra abrir agora e vestir.

Obedeci. Um batom vermelho, da mesma marca, veio no embrulho.

– É pra passar.

Na hora de colocar o sutiã e a calcinha, ele não tirou a etiqueta com o preço: aquele modelo tinha custado US$ 150, uns R$ 525 pra quem comprou o dólar a R$ 3,50. Beleza. Pelas minhas contas, no passado eu tinha gasto com ele bem mais que isso. Era o mínimo. A gafe dele foi calculada.

Na cama, forrada com uma manta colorida da Missoni, ele me deitou pra que eu o visse tirando a roupa, peça por peça. Primeiro, tirou a camisa, depois a calça e mostrou a cueca Calvin Klein, porque agora ele não abandonava mais os outlets de Miami.

Minha lingerie deliciosa e macia, agora apreciava aquela cueca de 800 fios, sei lá, era macia pra caralho. Victoria e Calvin se encontraram, afinal.

Transamos. Ele me chupou, enquanto enfiava o dedo no meu cu, agora sem a calcinha americana. Fizemos um meia-nove, aquele pau entumecido, gigante e rosado, sem pelo nenhum ao redor, a depilação a laser com pagamento à vista – ele havia me dito antes, na zoeira, pra me surpreender depois na real. A região mais clareada pelo tratamento estético. Tesão. Demos uma. Demos duas. Bebemos todas as miniaturas de Red Label do frigobar. Abrimos a latinha de caviar russo. Ele espalhou pela minha virilha, chupou aquelas perolinhas negras enquanto massageava meu clitóris. Gozei um milhão de vezes.

Na ressaca, depois do banho, eu não aguentei:

– Como você agora tem dinheiro pra tudo isso sendo um residente, caramba?

– A gente goza, mas parcela tudo no cartão.