Bissexual existe, sim!

Por carmen

Olha o depoimento franco e (por que não?) sexy de alguém que se encontrou na bissexualidade, muitas vezes negada até mesmo dentro da comunidade LGBT.

 

Crédito da foto: suckmypixxxel.tumblr.com

 

“Eu não entendia o que acontecia comigo. Tinha horas que eu me excitava demais com peitinhos e xanas, cabelão, rostos maquiados de garotas loucas pra dar pra mim – ou não. E tinha vezes que, na balada, eu olhava praquele boy, reparava nos cílios enquanto o cara piscava, sentia o perfume de madeira, meu pinto molhava.

Fiquei assim secretamente, me masturbando no banheiro de casa ou no banheiro do trampo mesmo, logo depois do almoço. Eu tinha fantasias ao pensar em cada detalhe dos boys da balada hétero que eu frequentava. Mas ficava de pau duro quando me atracava com as minas. Era delicioso, porra!

Ninguém falava sobre isso em lugar nenhum. Não tinha matéria em revista, não tinha blog pra isso, não tinha nada. Se eu quisesse saber mais de homens, eu só encontrava material na coluna do gay babado ou nos chats obscuros – e eu nunca quis me esconder. Queria me encontrar. Precisava me entender.

Os anos passaram e passei a me jogar. Chamava umas amigas pra balada gay. Comecei ficando com uma delas e, na bebedeira, ficamos com um boy-delícia, um boy-menina, um desses magrinhos, de pele feita, voz fina. Uma hora, nossas línguas estavam em três: ela, ele, eu. Não transamos. Só nos pegamos. Foi um experimento.

Comecei a ter mais amigos gays e, pra minha decepção, foi aí que percebi que o B da sigla toda – LGBT – era invisível. Porque galere achava que aquilo não existia. Que era etapa. Uma fase de transição.

– Porra! Vocês parecem a mãe de vocês, quando vocês saíram do armário pra família!, eu dizia. Era meu melhor argumento.

O mais louco foi o tesão em usar saia. Que coisa deliciosa foi quando, depois de uma transa com uma mina eu pedi se ela tinha uma saia com elástico pra eu vestir. Eu estava nu. Diante do espelho interno do armário dela, peguei a saia de feirinha hippie e coloquei. Meu pau subiu na hora. Corri de volta pra cama porque eu pre-ci-sa-va comê-la de novo. Saia arregaçada, porra por toda parte, cheiro exalando pelo quarto com a brisinha da manhã entrando pela janela daquele bairro arborizado de Perdizes. Ela era estudante de História na PUC-SP. Foi ela quem me conduziu pras rodas bissexuais – ela era uma. Finalmente alguém. Angela, minha guia, minha amiga, minha amante.

Comecei a fazer a unha, mas eu tinha de me segurar, porque o fetiche nos detalhes me deixava louco – e a ideia não era assustar ninguém, assediar ninguém. Meu corpo falava. Gritava. Era quase um inconveniente. Aos fins de semana, as saias. Angela me ajudou a comprar algumas. Saía por aí com barba por fazer, pernas peludas, unhas impecáveis e saia com tênis. À noite, trocava por um modelo mais brilhante, lantejoulas. A jaqueta de couro por cima. Tentei lápis. Descobri o cajal. Não me adaptei ao delineador, muito difícil. Pegava meninos e me lambuzava de base – os que eu pegava, usavam base, faziam as sobrancelhas, laser pra estancar a barba.

Minha vida segue tranquila. Amo paus, amo xanas. Penetro bundas de meninos e xanas de meninas. Dou o cu para meninos e também para meninas, pense numa delícia chamada fist. Sinto sabores humanos. Os sabores são humanos.”

Vamos falar de sexo, de sexualidade, de libertação? Escreve para mim, carmenfaladesexo@gmail.com