Somos transantes, apenas somos

Por carmen

“Sou uma mulher trans e resolvi compartilhar o que entra na minha transa, aproveitando o gancho dos brinquedos eróticos.

É difícil me definir, já tão desconstruída que estou: o ideal seria eu poder dizer que sou. Que existo. Que oi, olá, muito prazer, sou eu. Mas em nossa sociedade, em que todos somos aprisionados dentro da matrix binária – ou você é homem ou você é mulher –, vou me apresentar como uma mulher trans, como fiz no começo.

Ao olhar pra mim, você vai me achar gay, um homem gay. Mas se reparar melhor, vai perceber que uso glitter na região dos olhos, faço as unhas perfeitamente, uso roupas agarradinhas porque gosto das minhas curvas e até do meu quadril nada violão. Vai perceber que uso o cabelo desgrenhado porque, pra dar volume em uma cabeça atingida por doses de testosterona, usar o cabelo muito certinho deixa minha calvície nada sensual. Viu como o ideal seria apenas dizer que sou?

 

Crédito da foto: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Vou olhar nos seus olhos profundamente, seja você uma pessoa com xana e seios, seja você uma pessoa com pinto e tórax definido. Vou te comer com meus olhos e você vai querer saber o que há debaixo da minha túnica branca sobre minha legging prateada. Já vou avisando: tenho um pau pequeno. E um orgulho enorme ao vê-lo crescer, crescer, crescer e assustar a cada pessoa que levo pra cama. Porque eu existo? Pra provar que as aparências são uma farsa.

Vou te oferecer uma mimosa, porque também gosto de um clichê. Vamos conversar, falar sobre nossos corpos, vou devolver cada pergunta estúpida que você me fizer. Vou te confundir. Mas apenas porque eu sei que a cada passo estaremos mais próximos, próximas, próximes, proximxs do gozo.

Meu pau não penetrará ninguém. Não gosto. Veja só, como você, tenho limites. Nosso sexo será com nossos braços, nossas bolas, nossos lábios grandes vaginais, nossas línguas, nossas mãos e dedos. Minha língua será ferina: vou te lamber por inteiro e deixar um rastro de menta, porque, meu amor, aromaterapia é tudo. E quando todos os poros do seu ser estiverem abertos, eu já terei colocado o ovo de silicone japonês na cesta ao seu lado e estarei com um tubo de gel com gosto de canela pra derramar sobre suas mãos. O ovo vai massagear meu pau deliciosamente, em movimentos de vaivém e, no seu momento, você vai saborear a delicadeza da canela.

Não vou resistir: vou me sentar e abraçar você com minhas pernas. Mas, primeiro, vou sugerir a posição siddhasana, aquela em que a gente cruza as pernas pra meditar, mas com um dos pés encostados nas genitais. Vamos fazer isso e tentar gozar juntos. E, se não der certo, vamos nos masturbar.

Vê como somos livres e que o sexo pode ser assim também?

Beijas. De língua. E traços de canela.”