No fim, sobrou o consolo

Por carmen

Este texto me lembrou daquela velha piadinha de que amor é como a Avenida Paulista, começa no Paraíso e termina na Consolação.

 

Crédito da foto: suckmypixxxel.tumblr.com

 

“Eles haviam se conhecido há pouco tempo, mas o love ainda estava na fase da foda duas vezes por dia – sempre que possível, é claro. A dança do acasalamento tinha formado um padrão: eles se encontravam em um boteco qualquer, começavam a conversar, o olhar um pelo outro ia penetrando até o fundo do âmago como se estivessem se engolindo mutuamente pela íris, os lábios se encostavam, as línguas se entrelaçavam. O gosto da cerveja weiss na ponta da língua dava o aroma da pegada que estava por vir. As pernas davam um jeito de se encostarem o máximo que aquelas mesas dobráveis de bar permitiam. As mãos já não se importavam com as aparências e começavam as suas estripulias. De início, cada par segurava o rosto um do outro recaindo pelo pescoço, ele puxando com um pouco mais de força o cabelo em tamanho médio dela. As mãos dela tinham dedos longilíneos que se esparramavam pela nuca dele, até alcançarem o elástico que amarrava aquele cabelo neo-hipster que já estava dando no saco.

A dança era deliciosamente carregada de malícia, luxúria e uma dose perfeita de exibicionismo decadente. Eles não se importavam de apalpar os sexos mútuos ali mesmo, na rua. Foda-se. E iam caminhando até o apartamento dela, enfiando dedos no risquinho da bunda, alimentando possibilidades.

Ao chegar em casa, os dois cumpriam tabela: copiavam mesmo aquele sexo quente e atrapalhado dos filmes, que só faz encostar a porta de entrada pra sair rasgando a roupa um do outro em amassos apertadíssimos. Nada era suave. O sexo pré-penetração era daquele jeito, forte, pesado, deliciosamente desajeitado. Os dois seguravam o gozo pra dar tempo de enfiar tudo dentro. E conseguiam. Ela menos. Ela tinha pequenos orgasmos sequenciais, o que deixava toda a experiência muito satisfatória.

Na porta do quarto, ambos nus, ela montada de frente nele, ele a colocava na ponta da cama pra dar tempo de enfiar direito. E era nessa hora, milimetricamente calculada, que ela se livrava dele, engatinhando até a ponta direita da cabeceira da cama queen, onde ficava um falo maravilhosamente rosa, na textura e tamanho perfeitos. Era ligar, enfiar, e gozar de olhos bem abertos.

– Toda vez eu travo, dizia ele mais uma vez.
Ele apequenava-se. Saia do quarto de olhos arregalados, ainda em estado de choque.”