A exibida da praça de alimentação

Por carmen

Eu tenho uma amiga que está passando uma temporada nos Estados Unidos. Pedi uma história excitante que ela viveu recentemente por lá. Sabia que viria coisa boa.

“Minha história tem lá um final feliz. Não que eu acredite em finais felizes como manda a tradição.

Mamãe nos criou muito católicos. Uma linha radical dentro do catolicismo. Para fugir desse ambiente rígido, fiz a universidade o mais longe que eu pude e aproveitei cada minuto. Até que, sem muita perspectiva de emprego na minha cidade, resolvi me aventurar nos Estados Unidos. Fui a turismo, mas estava aberta a tudo. E decidi me divertir.

Pra começar, escolhi o Tinder. Match logo de cara. Não falava inglês ainda – mas quem disse que eu queria conversar?

– Hola, que tal?, disse ele ao se aproximar da minha mesa em uma das gigantes praças de alimentação dos gigantes shopping centers suburbanos americanos.

Fui pra cima, não tinha nada a perder. Mirei aqueles lábios finos, rosto de anjo barroco, bochechas rosadas, cabelos encaracolados e muito bem penteados, e dei aquele beijo que, por aqui, chamam de ‘francês’. Ele quase não acreditou. Ficou com os braços suspensos, ainda sem saber muito bem como agir, até que foi cedendo, cedendo, cedendo. Dei o meu melhor beijo brasileiro: molhado, abundante, mordidas leves que se misturavam a mordidas mais intensas. Estávamos de pé, e nossos corpos foram se aproximando. Senti aquele volume crescendo, crescendo. Encaixamos nossos sexos e de repente estávamos no céu. Ouvimos aplausos. Agora eram gritos como de uma torcida para um time de futebol americano. Seguimos colados, nos agarrando em um dos cenários mais improváveis e puritanos. Suas mãos firmes agora passavam pelos meus cabelos lisos, castanhos, fios grossos: eu era a brasileira típica. Cintura marcada, quadril de violão, 1m72 de altura acrescidos de 5cm de um saltinho qualquer.

 

Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

 

I’m afraid I’ll have to stop y’all, disse uma voz.

Não paramos, sequer movemos os lábios e nossos corpos.

I’m afraid you will have to STOP right now, disse a mesma voz.

Agora, sim, levamos um susto. O cara estava em roupas de segurança, terno mal-cortado e bem maior do que o corpo. A atitude própria do pequeno poder. Mais: a atitude de quem não sabia mais o que fazer pra conter um ambiente em que as pessoas mal se encostavam e que precisavam continuar assim.

Senti as mãos do indivíduo em meu ombro. Minha primeira reação foi segurá-la, em uma espécie de convite silencioso para que participasse daquele momento com a gente. Foi quando ele se moveu bruscamente, virando meu corpo e me chamando por ‘ma’am’ que eu me dei conta de que estava em apuros.

– Se vocês não se retirarem agora, serão detidos por atentado ao pudor!

Fiquei em choque. Eu só conseguia olhar para a cara de Jake e daquele segurança. Jake tentando se recompor, melado de batom e brilho, uma pitada do meu glitter. Ele estava claramente constrangido. Deu tempo de espiar como estavam as pessoas na praça de alimentação. Algumas olhavam pra nós, curiosas. Outras abanavam a cabeça em aprovação. Eram poucas as que estavam se divertindo com nosso enquadro.

Foi quando mirei a braguilha da calça do segurança. Ele tinha o pau ereto. Ele tinha o fucking pau dele ereto!”

Ela promete continuação, minha gente. Enquanto isso, mande a sua história para mim! O e-mail é carmenfaladesexo@gmail.com