A jornada do prazer gay através das décadas

Por carmen

“O mundo gay sempre esteve à frente no quesito ‘caça’. Muito antes de a tecnologia despontar como um instrumento essencial em busca de prazer e diversão, gays sempre deram um jeito buscar o outro por diversos meios. Lembro que, durante a minha adolescência, nas minhas descobertas, eu me arrisquei a ir a uma banca de jornal no centro de São Paulo (porque no bairro não podia e não tinha) e comprei uma revista, digamos, ‘temática’. E eis que lá estavam ou os anúncios com descrições e fotos ora comportadas ora picantes, ou até mesmo um tipo de classificados para os mais discretos, com um endereço de caixa postal para troca de cartas, fotos ou até mesmo para organizar um encontro.

E eu, com apenas 14 anos, corri o risco e mandei algumas cartas para alguns dos anúncios, mas é claro que não conheci ninguém – muitos não respondiam, e aqueles que respondiam me alertavam a não fazer isso, pois eu era uma criança e isso podia ser um risco para a outra pessoa ser acusada de pedofilia. Enfim, aventuras e descobertas.

Alguns anos depois, eis que surge um tal de Disque Amizade. Bastava discar um número de três dígitos para falar com todas as pessoas possíveis, e eis que no meio dessa fauna havia alguns gays perdidos. E foi aí que surgiu o meu primeiro encontro. Um desastre, claro, afinal eu tinha experiência zero e o cara não era nada daquilo que havia descrito.

Em seguida, veio o boom do cruising: o bate-papo, esse sim uma mão na roda, não somente um, mas vários saltos à frente na pegação. O bate-papo reinou no final dos anos 1990 e foi até meados dos anos 2000. Eram salas e mais salas de machos procurando por coisas diversas, de sessões de sadomasoquismo a um namorado, um boquete a um cinema, um gangbang ou a uma ‘foda amiga’ (aquele que pode ser seu amigo, mas te fode de vez em quando, no bom sentido, claro).

 

Crédito da foto eroticmalephotography.tumblr.com

 

E eis que o universo gay dá a sua tacada de mestre no fim dos anos 2000, mais exatamente em 2009, quando a tecnologia dos smartphones estava a todo vapor, e eis que surge o aplicativo mais revolucionário do mundo em termos de pegação e sexo fácil: Grindr.

Quando soube da eficácia do brinquedinho, logo troquei o meu simplório celular Nokia de poucas habilidades por um iPhone, e que nem era do modelo mais avançado, simplesmente aquele 3GS. O importante era saber que o Grindr funcionava. Assim que o tirei da caixa, instalei prontamente o WhatsApp e o Grindr. E eis que um universo de diversão se abriu ali na palma da minha mão. Eu encontrei a chave para o prazer fácil.

O primeiro foi um vizinho da rua de trás, quando eu ainda morava na zona leste de São Paulo. Meses depois, quando me mudei para a região da Avenida Paulista, eu tinha tantas, mas tantas opções que poderia escolher quem eu quisesse, na hora que eu quisesse, a qualquer momento. Eu podia sair de madrugada às 4 horas da manhã de uma terça-feira para conhecer alguém. Eu poderia transformar o meu domingo modorrento em uma orgia ao ser convidado por um grupinho de folia sexual num apartamento de luz vermelha na Rua Augusta.

E eis que eu fui usando o brinquedinho quando ainda morava em São Paulo, e ligava em qualquer lugar que eu fosse: ABC, zona norte, casa da família na zona leste, reunião de trabalho na Berrini, ou em viagens ocasionais.

Mas o aplicativo me ofereceu uma gama infinita de possibilidades e gostos e prazeres e experiências quando eu saí do Brasil. A diversão ficou globalizada. Morando na Europa, eu tive a chance de ter 5, 10, 15 nacionalidades ali na palma da mão. Era como estar em uma daquelas feiras gastronômicas ou wine tasting, em que você saboreia cada prato e pode comparar um com o outro.

É melhor que o Brasil? Sim, embora eu sinta falta da pegada brasileira de vez em quando. Mas as experiências sexuais multinacionais me proporcionaram prazeres diversos que no Brasil a gente não encontra, a não ser que você ache um gringo perdido por ali e, mesmo assim, vai ser um momento único e pronto, depois volta-se à realidade.

Aguarde a continuação, Carmen, vou contar sobre as 20 estampas o meu passaporte sexual já tem ;-).”

 

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