Ménage de beijo de língua só tem no Carnaval

Por carmen

Mais uma de Carnaval, porque, bem,a gente sabe como a folia rende. 🙂

“Já não aguentava mais de tanto pular Carnaval nos blocos de rua quando me convenceram a ir ao último deles, o Bloco Pagu. A ideia era me convencer de que a concentração de mulheres por metro quadrado me renderia muitas bucetinhas quentes e deliciosas. Com a bateria exclusivamente composta por mulheres e um repertório de divas da MPB, me animei gritando o refrão da Rita Lee com todo mundo: ‘Sou mais macho que muito homem’.

Saímos do Pátio do Colégio em direção ao Theatro Municipal e a quantidade de casais começou a me desanimar. Quer dizer que Sapalândia resolveu de vez pela união civil agora, minha gente?, pensei, me sentindo a vela do Carnaval. Mas na companhia de amigos, engoli o chororô e seguimos por mais uns quarteirões.

Viramos uma daquelas esquinas e o cenário começou a ficar mais atrativo. Garotas topless por toda a parte, como que infiltradas na multidão, convencendo mais gente pelo mamilo livre. Me excitei. Eram peitinhos, peitões, peitones de todas as formas, cores e tamanhos. Barriguinhas rechonchudas prontas para serem mordidas, barrigas flácidas, barrigas firmes, barrigas zeradas, algumas me convidavam secretamente a seguir o caminho do amor, a enfiar a mão pela buceta com massagens em intensidades do fraco ao forte, do soft ao hard. Me recompus. Aquilo tudo estava me impedindo de curtir os gritos eventuais de ‘Fora, Temer’.

 

Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

 

Estacionamos em frente ao Municipal e ali ficamos. O céu escureceu e trouxe umas nuvens pesadas. Pensei que o passeio até que tinha sido generoso comigo, tentando não aderir à frustração da boca virgem e da chuva da dispersão. Galera começou a se juntar, se juntar, até que ficou todo mundo espremido, tentando se proteger do chuvão, quando senti um bafinho de chiclete de morango bem atrás de mim. Olhei de canto e ali estava ela: topless, com a tinta de palhaço escorrendo pelas laterais do abdome, shortinho jeans tipo pin-up, um pouco do rímel escorrendo pelas bochechas rosadas. Seus olhos eram grandes e estavam pintados como Amy Winehouse gostava. Ela mastigava e fazia bolinhas, que estouravam e exalavam aquele aroma de bubbaloo. Resolvi olhar bem nos olhos dela, sorri de boca fechada, meio tímida, e fui abrindo o sorrisão que mostrava os dentes quando ela foi abocanhada por alguém bem mais rápido que eu. Fiquei olhando aquelas duas garotas se beijando e juro pelas deusas que a chuva tornava aquela cena a mais clichê de todas, deliciosamente clichê, excitantemente clichê.

Quando o amor próprio falou que aquele voyerismo todo estava prestes a se virar contra mim e resolvi parar de olhar, me virando para frente de novo, um braço saiu daquele amasso e me alcançou. Não apenas isso: me puxou como um gancho. A chuva nos deixou à vontade pra seguir o que nossos corpos mandavam. Beijei a garota do morango com minha língua profunda, nosso beijo clicou como fazia tempo não clicava em um Carnaval de passa-rodo. Nos mordemos, nos lambemos, nos fodemos com nossas línguas. E quando eu achava que tudo ia bem, com a outra garota passando suas mãos mágicas pelo meu corpo molhado da chuva, ela resolveu entrar pela porta da frente e meteu sua língua nas nossas bocas. Foi meu primeiro ménage de beijo de língua. E que ménage!”

O Carnaval acabou, mas temos um ano todo pra curtir, transar e contar aqui! Mande sua história para carmenfaladesexo@gmail.com