Em tempo de apps, o sexo virtual vive nas salas de bate-papo

Por carmen

 

Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com
Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

 

Nos primórdios da internet popularizada (segunda metade dos anos 1990) uma das principais atrações, aquela que deixava o pessoal ansioso pra conexão discada completar logo, eram as salas de bate-papo.

A ferramenta deu o pontapé em todo o potencial de socialização da rede e mudou a forma como as pessoas se conheciam, se relacionavam e faziam sexo (real ou virtual). Teclar, ou melhor, “quer  tc?” e “tem webcam, gata?” foram expressões que marcaram época.

Esse pode parecer um papo nostálgico em tempo de Tinder, Happn e OKCupid, mas é só dar um pulinho hoje no chat daquele grande portal para ver que as salas de bate-papo ainda bombam. Quando chequei às 16h30 de uma terça-feira, havia 71.763 pessoas online.

Ok, a tecnologia melhorou um pouco, tem versão mobile, e os “nicks” ganharam características mais atuais: Casado_Carente agora tecla com a Loira do Zap, e o NúSkype manda nudes para a Morena_SP. Mas o espaço agora é, acima de tudo, um ponto de encontro, para logo a conversa continuar em outras plataformas, como Whatsapp e Skype.

O chat voltou ao meu radar quando ouvi duas histórias: a primeira, de uma colega de trabalho que estava deixando aflorar seu desejo por meninas, mas ainda não se entendia totalmente lésbica. Recorreu ao bate-papo para, no anonimato e com a cautela que necessitava, testar essa vontade.  No fim, casou com uma garota que conheceu na sala Amizade LGBT.

A outra é de uma conhecida, mãe de dois filhos pequenos, com o casamento em crise. Sem sexo há anos, recebia conselhos das amigas para sair e flertar, mas achava que tinha perdido o jeito. Tinha medo dos apps que expõem as fotos e resolveu voltar à ativa de forma mais discreta.

Para esses perfis, a proteção que as salas proporcionam faz todo o sentido. Claro que tem todo o tipo de gente ali. Quem quer práticas sexuais consideradas heterodoxas com discrição, gente que ganha dinheiro com a indústria do sexo, pessoas entediadas, esquisitos de plantão e gente como eu e você, como minha colega e minha conhecida.

 

Quer tc? Manda e-mail para carmenfaladesexo@gmail.com