Fernanda Gentil e a sexualidade sem rótulos

Por carmen

Lembrei de algumas histórias que ouvi e presenciei, ao ler a notícia de que a apresentadora Fernanda Gentil, tempos depois de se divorciar do marido, assumiu o namoro com uma jornalista. Não é uma história tão incomum. Conhecemos tantas outras mulheres, famosas ou não, que já foram casadas com homens, tiveram filhos, namoraram uma porção de caras, que depois passaram a se relacionar com mulheres. Ou vice-versa. São lésbicas, bissexuais ou nada disso, afinal, rótulos falham ao descrever a complexidade da sexualidade humana.

Primeiro pensei em outra mulher pública que seguiu o mesmo caminho, a cantora Daniela Mercury. Depois na Mariana, minha amiga jornalista-atriz-socióloga que pegava geral nas três faculdades que fez. Só homens. Era um terror. Um dia, muito tempo depois dos diplomas, passou a ficar com garotas. E disse para quem quisesse ouvir que gostava de pessoas, não de homens ou mulheres.

 

Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com
Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

 

E, por fim, me recordei da experiência a seguir, da Isabel, que presenciei de perto e reconto aqui do jeito que ela me narrou.

“Eu morava na França e tinha uma amiga brasileira que dividia o quarto da república com uma portuguesa. Começamos a andar as três juntas pra todo canto, saíamos pra beber, para cinema e teatro. A portuguesa tinha uma atitude bem nos moldes que consideramos, na nossa sociedade, masculinos. E era muito atenciosa e gentil comigo, de um jeito que não era com a minha amiga – com ela, a relação era mais fraternal e brincalhona. Se essa garota fosse um homem, eu o teria descrito como um gentleman, no caso, era uma gentlewoman.

Eu imaginava que ela era lésbica pelo estereótipo que, naquela época, eu nem pensava em desconstruir dentro da minha cabeça. E também não refletia sobre a possibilidade de ter uma experiência com alguém do mesmo sexo.

Mas ela flertava comigo. E eu gostava do jogo. Comecei a provocar, principalmente quando ficava bêbada. Provocava e recuava, porque achava que nunca teria coragem de ir além disso, achava que nem era do meu interesse. Na minha cabeça, com certo egoísmo, eu a via como aquele carinha sem graça que você encontra numa festa mais sem graça ainda. ‘Se só tem tu, vai tu mesmo’.

Mas ela percebeu o meu jogo narcisista e um dia me colocou contra a parede. Perguntou qual era a minha. Se a atiçava só para agradar meu próprio ego ou se tinha coragem de me jogar em algo que poderia gostar e abalar minha vidinha hétero. Ela me desafiou, dizendo que se eu experimentasse, nunca mais ia voltar a dar bola para um homem na vida.

Fiquei com esse discurso dela me incomodando. Seria verdade mesmo? E comecei a fantasiar. Sentia muito tesão por saber que ela estava a fim, que me desejava.

Na noite de Natal, teve uma festinha na república onde moravam. Um monte de jovens longe das famílias, num frio de doer, enchendo a cara de cerveja barata. Eu havia combinado de dormir lá, para curtir a festa até tarde. Fiquei bêbada rapidamente, nem esperei dar meia-noite e fui pro quarto. A portuguesa me acompanhou, com a desculpa de me ajudar, já que eu estava cambaleando e totalmente sem noção. Confesso que exagerava um pouco, para justificar o mole que estava dando pra ela. Ela foi me carregando e me colocou em sua cama, tirou meus sapatos e começou a passar as mãos pelo meu corpo, por cima da roupa mesmo. Dali a pouco minha blusa estava levantada, barriga aparecendo, ela subiu até meus seios e veio por cima de mim. Eu já estava toda molhada, querendo mais. Era carinho, era tesão, era boca, eram mãos. Se era mulher ou homem, não importava, eu desejava, eu latejava.

Deitamos de conchinha, debaixo do edredom, ela abriu meu jeans, puxou um pouco pra baixo, e começou a me masturbar. Falava no meu ouvido, arfava, e eu quase gozando.

Cheguei a pensar: “Gente, vou gozar com uma mulher, nunca imaginei…”, mas logo fiquei apenas concentrada naquele tesão enorme. Eu a toquei também, coloquei a mão pra trás  e friccionei meus dedos entre os lábios da buceta dela, enfiava um pouco os dedos, era natural para mim, eu sabia como fazer, tinha anos de experiência.

Ela queria me chupar, mas eu gozei antes, o que me deixou mais sóbria e totalmente ensonada. Fico pensando se eu teria tido vontade e coragem de chupá-la. Acho que não.

Foi bom, não senti vergonha nem arrependimento. Nunca mais desejei ficar com uma mulher, mas acho foi mais falta de oportunidade do que qualquer outra coisa. Se um dia conhecer alguém que me desperte alguma sensação, não vou me frear.

Concordo com a teoria da Escala de Kinsey, por mais que tenhamos uma atração clara por um dos sexos, não existe dicotomia ou rótulos definidos. O comportamento sexual pode ser incongruente, mudar várias vezes ao longo da vida. A sexualidade é fluída, não é fixa ou estática.”

Conte-me as situações em que seu desejo o/a levou a momentos nunca antes imaginados. Vou gostar de ler na caixa de entrada do carmenfaladesexo@gmail.com