Sexo anal e outras incoerências

Por carmen

Eu tenho uma amiga que é uma exploradora da gastronomia paulistana, adora provar pratos diferentes, conhecer restaurantes novos. Mas tem uma contradição: não come sushi. Passa longe de peixe cru e suas variáveis.

Joguei na mesa de um almoço tardio de quarta-feira uma pergunta sobre incoerências em outra esfera, a sexual. “O que você gosta, ou não, no sexo que pode parecer improvável pela sua personalidade, para quem te conhece fora dos lençóis?”, questionei.

A mesma amiga confessou que ninguém diria, ao observar seu jeito agressivo de colocar as opiniões e seu espírito de liderança, que ela adora ser dominada na cama.

Com a fala mansa que lhe é característica, em um tom mais baixo do que o esperado na balburdia do restaurante, o amigo ao meu lado, moço gentil de ideias progressistas, contou que gosta mesmo é de foder com força.

O caçula do grupo, de 30 anos, que costuma se vangloriar de nunca ter namorado e ser um pegador, acabou admitindo que “uma noite e nada mais” não faz seu gênero. Suas amizades de foda duram de uma Olimpíada a outra, pelo menos.

E nessa toada de revelações destoantes, resolvi escrever do que é meu tabu em desconstrução: o sexo anal.

 

Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com
Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

 

Eu sou liberal e ponto. Acredito que, consensualmente, tudo vale no prazer. Falo, escrevo e faço sexo abertamente. Não me conformava em ser uma mulher que não fazia sexo anal. Não ornava, sabe?

A verdade é que eu vivia bem sem. Variando muito, gozando sempre. E não é que a zona erógena traseira não fosse das minhas preferidas. Um dedo ali acelera mesmo meu orgasmo. Beijos e lambidas são muito bem-vindas. E quer saber? A possível dor da penetração nem me assustava tanto. Já passei por crise renal e depilação com cera fria – nenhuma delas envolve nem um tico de prazer. Ser comida por trás, num momento hot, deveria ser bom.

Mas eu tinha uma questão com o “dar a bunda” que me deixava até tímida de falar do assunto. Eu, envergonhada na cama, veja só.  Meu problema era com o aspecto higiênico da coisa. Morria de medo de uma situação escatológica. Lia na internet maneiras de evitar isso, mas o receio me deixava tensa. E tensão no sexo é acabar com o clima, com a lubrificação, com tudo.

Coloquei na minha cabeça que não queria ser uma mulher que nunca experimentou o sexo anal, assim como não queria ser uma pessoa que não vai em montanhas-russas. E com o cara certo, no dia certo, com o mindset certo, rolou fácil: sem programação, sem dor, sem constrangimentos e com muito prazer.

Claro que ser contraditório não é um problema. Para mim, foi uma questão de superação. Para outros, talvez seja de aceitação. Se tem um lugar onde podemos ser quem quisermos e devemos respeitar nossa natureza e nossos gostos, é no sexo.

Conta pra mim sua incoerência sexual? Meu e-mail é carmenfaladesexo@gmail.com