As aventuras de um jovem crente

Por carmen
Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com
Crédito da foto suckmypixxxel.tumblr.com

O lugar era São Paulo e a cena era do underground do white metal, o metal limpinho dos cristãos. Eu era vocalista de uma banda com agenda de shows quase todos os fins de semana – grandes galpões abarrotados de cabeludos desgrenhados, quase todos de preto, pernas finas, a maioria com marcas de espinhas na cara, jaquetas desbotadas, camisetas de bandas de satanistas, veja você. Poucas mulheres.

Não sei como, mas namorava uma mestiça deliciosa, que me acompanhava a cada show marcado na cidade. Era a única na multidão com perfil de modelo. Alta, longilínea, cabelos fartos, fios pesados e bem lisos, de um preto petróleo. Usava lápis que marcavam seus olhos de mãe japonesa e pai espanhol. Os 300ml de silicone me enlouqueciam: a transformação dos peitos brasileiros para tipo americano estava apenas começando entre as massas, lá pelos idos dos anos 2000. Tínhamos vinte e poucos anos e carregávamos a ideia de amor eterno. Nos conhecemos na Igreja Renascer.

A cena do rock alternativo estava se alastrando pelo Sudeste e lá fomos nós, tocar pelas cidadezinhas no interior Paulista, passando pela capital paranaense, às vezes chegando até o Rio Grande do Sul. Minha japa não podia me acompanhar. Ficávamos hospedados nas casas de irmãos da igreja, era uma época muito pré-airbnb e sem nenhum cachê. Em uma dessas viagens, levei comigo uma espécie de amuleto – deusmelivre chamar assim naquele contexto, mas a verdade é que era um colar com um pingente que minha japa-delícia havia me dado. Aquela mandala roçava no meu peito peludo enquanto, de madrugada, fazia uma homenagem a ela com gozos fenomenais. O quarto cheirava a sexo e eu ali sozinho, batendo uma pra ela.

Nossa banda tinha seis integrantes: eu, no vocal, dois guitas, um baixista, um batera e uma tecladista, a única mulher da turma. Fomos distribuídos na hospedagem daquele fim de semana e fiquei em uma casa de madeira e quintal sem muro na periferia de Curitiba. Numa das madrugadas, durante uma de minhas homenagens, ouvi um barulho no corredor. Parei. Tremia e respirava alto ainda do gozo quase saindo. Ouvi os passos indo embora e recomecei. Meu pinto ardia e já não conseguia me concentrar. Resolvi levantar e ir ao banheiro. Tudo estava apagado. Quando saí, já a caminho do quarto, Carla apareceu e me chamou pra cozinha, assim, na lata.

Ela estava de shortinho curto e blusinha de alças bem finas, o tecido era brilhante no short e opaco e transparente na blusinha. Aqueles peitos pequenos me deram um tesão absurdo, me confundindo por pensar que os siliconados fartos da minha namorada me bastavam. Fiquei paralisado, num misto de vergonha e desejo. Ela, muda e cheia de iniciativa, pegou na minha mão e me levou pra cozinha.

– Você vai tomar um chá comigo, ela disse quase cochichando. Entendi na hora que ela não estava de brincadeira. Parecia ter 21 anos. Eu tinha 22, mas parecia bem mais velho que ela, o que me deu um tesão que só de lembrar me excito. Sentamos na mesinha da cozinha e ela preparando o chá, andando pra lá e pra cá, esticando as pernas e ficando na ponta dos pés pra alcançar algo nos armários mais altos, e foi aí que tudo rolou. Percebi a dificuldade na hora em que ela tentava alcançar sei lá o que e, quando fui ajudá-la, cara, parecia cena de filme. A gente sentiu a respiração ofegante um do outro, os pelinhos dos braços se roçaram, e nossa, foi uma explosão, eu a agarrei ali mesmo.

Enfiei meu linguão naquela boca de lábios finos na parte de cima e grossos na de baixo, sabor de morango, um batom sem cor e meio pegajoso (detesto a consistência dessas tintas de mulher). Ela deu um gritinho, meio assustada com minha intrepidez, mas em seguida se prendeu ao meu corpo com força, encostando aquela chana que eu quase sentia nua de tão fino o tecido que a cobria. Meu pinto começou a crescer, e eu a beijava na cara toda, beijo molhado, ela me dava mordidinhas, sua língua mentolada por dentro – ela não estava pra brincadeira – me fazia querer comê-la de verdade, morder forte aquela carinha de traços delicados, um cabelão farto e comprido, castanho claro, que eu amassei inteiro.

Quando a gente resolveu respirar um pouco, a gente percebeu que a água já tinha baixado de tanto tempo fervendo. Ela me fez sinal de silêncio, apagou o fogo, pegou na minha mão de novo, e foi me levando dali, enquanto apagava a luz da cozinha. A casa inteira no escuro. Ela tirou o chinelo no corredor, me parou e encostou na parede e voltou a me beijar, indicando que tinha de ser bem silencioso, porque a ideia era a gente se bolinar onde fosse, meio que no perigo de alguém acordar e pegar a gente ali. Ela enfiou a mão por dentro da minha cueca. Eu fiquei louco. Ela me abraçou com as pernas e resolvi levá-la dali.

Entramos no meu quarto de hóspedes, fechei a porta, luz ainda apagada, e deitei com meu corpo pesado sobre o dela, pequeno. Mão na chana, mãozinha dela no meu pinto, dedos no cu, unhadas dela no meu saco, fricção intensa, fricção delicada, chupada da orelha, ela e eu, língua que ia dentro do ouvido, mas parecia que eu a penetrava profundamente pela vagina. Fizemos tudo. De roupa. E foi uma das melhores transas que já tive em minha vida. Meu nome é Rafael M. e volto logo pra contar como esse foi o começo da minha vida de poliamor. Ainda sou evangélico, mas essa é uma outra história.