vamos começar pelo começo: a primeira vez

Por karla

“Jornalista não sabe trepar”, diz o personagem Buscapé no filme “Cidade de Deus”, de 2002. É uma cena rápida, bem bobinha, que virou piada nas redações daquela época. Mas eu, que estava no último ano da faculdade de jornalismo e apenas começando a vida adulta, fiquei intrigada: estava eu entrando em alguma maldição?

Muitos anos e fodas depois, inclusive com alguns vário(a)s repórteres, posso dizer que ninguém no dia seguinte saiu por aí dizendo: “a Karla não sabe trepar”.

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Prazer, eu sou a Karla, a nova autora do X de Sexo, e posso dizer que, sim, sei trepar.

Mas o que é “saber trepar”?

É deixar o corpo e a cabeça serem levados para mares nunca dantes navegados. Curtir sem encanar com balança, suor, cheiro, barulho, pelos, luz, vizinho. Curtir com um ou com mais; com ela ou com ele; com ou sem amor. Relaxar e gozar sem roteiro adaptado, efeitos especiais e direção de arte – mas uma boa trilha sonora sempre ajuda!

Sexo tem que ser sem regras e vergonhas, ouvindo as vontades e curiosidades, atrás de diversão e prazer com respeito. Sou como a grande maioria das pessoas, embora sejam poucas as que contam na real como gostam de gozar – e também quem disse que precisam contar?

E é por isso que eu estou chegando aqui, no X de Sexo. Sou leitora assídua do blog e já me masturbei muito com as palavras da Diana e Rebeca e, antes, da Ana e Lia – meninas, vocês arrasam muito, voltem sempre!

Recebo a missão como um incentivo para eu continuar navegando por águas desconhecidas e depois contar tudo para vocês, queridos leitores.

E, já que estamos falando sobre estreias, vou começar pelo começo, lembrando aqui como foi a minha primeira vez.

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Eu tinha 15 anos quando decidi me dar de presente de aniversário para o Fernando, meu namoradinho da época, que tinha a mesma idade. A gente morava no mesmo prédio, esses condomínios com piscinas e quadras – e muita escada para os adolescentes se pegarem.

A nossa história tinha começado cedo: aos 13 anos, nos beijamos pela primeira vez, em alguma festinha de aniversário. Aquela coisa inocente, pero no mucho. Beijos envergonhados no ponto do ônibus, mãos dadas no almoço de família, mas, durante a tarde, depois da escola, nossos quartos esquentavam pra valer.

Tudo era bem calculado. Nossos pais passavam o dia fora trabalhando. A gente estudava de manhã. As empregadas iam embora logo depois do almoço. E aí que todo dia, mais ou menos entre três e cinco da tarde, a gente ficava sozinho. Dois adolescentes cheios de tesão com dois apartamentos vazios – e um condomínio inteiro – à disposição.

A coisa foi crescendo semana a semana, mês a mês. Os beijos tímidos ficavam cada vez mais longos, cheios de línguas e salivas. Hoje, pensando enquanto escrevo, se tem uma coisa na adolescência da qual sinto falta , e talvez seja a única, é beijar na boca daquele jeito. Você grudava uma boca na outra, inclinava uma cabeça para cada lado, as línguas se encontravam devagar e ficavam se contorcendo sem pressa, ninguém querendo desistir primeiro. Em pé, nossos corpos se encostavam, se abraçavam, ele sentindo meus peitos já maduros e firmes, eu sentindo o pau dele endurecendo. Quando a língua começava a doer, a boca dele escapava e descia pelo meu pescoço, na estreita faixa entre a nuca e embaixo da orelha, e ali ficava perdida, enquanto eu amaciava o cabelo dele comprido – tipo Kurt Cobain – com as mãos.

Semanas depois, as mãos assumiam o papel principal, ocupando o lugar das bocas. De pé ou sentados, elas exploravam costas, cinturas, coxas e bundas, peitos e pau. A dele ia direto para o meu peito, volumoso para o meu corpo magro e atlético, de quem jogava vôlei no colégio. A mão dele ia apalpando, girando, subindo até o colo e o pescoço, para depois fazer o caminho inverso e encontrar o bico duro, saltando para fora do sutiã. Ao mesmo tempo, a minha mão descia do cabelo dele, passava pelo peito magro e a cintura definida e encontrava o pau, que, mesmo embaixo da calça e da cueca, já se revelava nitidamente: era grande – depois fui ver que existiam outros bem maiores – e grosso e cabeçudo. Eu lembro de chegar em casa com a calcinha inteira molhada, um caldo que às vezes vazava para a calça do uniforme.

Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com/
Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

Depois de mais algumas semanas e atingíamos um novo estágio: beijar, apalpar, mas agora deitados. Ficávamos lado a lado, vestidos – ele às vezes sem camisa –, e logo ele se debruçava em cima de mim e a gente começava a se esfregar, para cima e para baixo, o pau duro roçando minha xoxota, quase entrando se não existissem os tecidos das roupas como barreiras.

Acho que essa fase deve ter durado um ano por aí. Tão lembrados que a gente se conheceu com 13 anos, né? Não tínhamos pressa, fomos nos descobrindo e nos revelando aos poucos, deixando de lado a insegurança e o medo, curtindo cada tarde em que passávamos sozinhos trancados no quatro, no dele ou no meu, fizesse chuva ou sol.

Ficamos umas semanas exercitando esse vaivém, ainda vestidos, e partimos para a exploração pele com pele. No caso, minha mão no pau dele, a dele, na minha xoxota. Lembro do medo que tínhamos de um flagrante: o irmão que poderia voltar para buscar alguma coisa, a empregada que esquecia a roupa na máquina, a mãe que chegava mais cedo da reunião. E aí a gente ficava embaixo da colcha, calças arriadas até o joelho, ele descobrindo como manipular as camadas da minha boceta, eu tocando uma punheta para ele, vendo e ouvindo os gemidos aumentarem de intensidade, a boca entreaberta, os olhos revirando, as línguas se esbarrando, o gozo chegando.

Geralmente, ele me fazia gozar primeiro, guiado pela minha voz no tom mais baixo possível: “mais rápido”, “mais para baixo”, “mais devagar agora”, “aí, aí”, “não para”. Logo depois, era a vez dele, que, a essa altura, já estava explodindo. Eu agarrava o pau dele com a minha mão, segurava forte, levava para cima e baixo, e ele gozava sobre o próprio corpo, tomando o cuidado de não sujar o lençol nem o uniforme. Hoje, tantos anos depois, não tenho ideia de quanto tempo ficávamos assim, se 20 minutos, uma hora ou duas. Mas era o momento mais importante e demorado do dia.

Claro que, com o passar dos meses, o Fernando, que também era virgem, foi ficando ansioso: queria trepar, ir até o final, enfiar o pau lá no fundo da minha boceta, até o útero. Eu fui enrolando um pouco mais porque, como toda menina de 14,15 anos, apesar de estar subindo pelas paredes de tanto tesão, tinha aquela noia de engravidar ou pegar uma doença. Todo mundo lia Capricho, mas ninguém tinha muita prática com camisinha e pílula.

Mas fomos treinando a camisinha, e uma semana antes de o Fernando fazer 15 anos tomei a decisão: vou liberar e deixar a gente chegar até o fim. Na verdade, a gente já tinha feito de quase tudo àquela altura: dedos dentro da boceta, cabeça do pau na xoxota, mas penetração mesmo, pau inteiro lá dentro, isso nunca.

E assim foi: numa tarde durante a semana, nós dois sozinhos no meu quarto, deitados no chão, para evitar o ranger da madeira da cama, repetimos nosso passatempo de todas as tardes: beijos demorados, mãos exploradoras, corpos quentes e sintonizados.

Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Com a certeza de que ninguém tocaria a campainha ou chegaria antes da hora, fiquei de pé depois dos primeiros amassos ainda de roupa e, peça por peça, tirei a camiseta do uniforme, o sutiã delicado de menina, a calça de helanca, a calcinha branca escolhida especialmente para aquela ocasião especial – o aniversário de 15 anos do meu primeiro namorado.

Foi só eu ficar totalmente pelada que o Fernando se apressou: tirou a roupa em dois segundos, todo desajeitado e sorrindo, e me puxou para o tapete. Se virou sobre mim, me beijou longamente e desceu a mão para a minha boceta encharcada depois de a gente ter ficado uma meia hora se pegando de roupa. Daí para a frente foi tudo muito rápido: ele, com a ajuda da minha mão, posicionou o pau duro como uma pedra na entrada da minha boceta e foi deslizando, escorregando para dentro de mim. Dois anos de treinamento e já conhecíamos cada pedaço do corpo um do outro, a respiração ficando ofegante. Ele entrava e saía devagar, preocupado se estaria sentindo alguma dor. Mas não, não estava sentindo dor. Estava relaxada e molhada e querendo mais do que nunca que ele fosse até o fundo, o mais fundo que conseguisse ir.

O ritmo foi crescendo, o vaivém do quadril dele totalmente sintonizado com o meu, que subia e descia no mesmo balanço em que ele entrava e saía de mim, agora cada vez mais rápido. Foi fácil gozar e, como nas nossas brincadeiras, eu gozei primeiro, minha boceta e meu corpo inteiro latejando, para logo a seguir chegar a vez dele. Fernando tirou o pau vermelho e brilhante e, segurando com a mão direita, gozou quente sobre o meu corpo. Sorrimos, nos beijamos e nos levantamos rapidinho, antes que alguém chegasse.

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E, vocês, como lembram da primeira vez?