O homem que ilustrava

Por xdesexo

Por Rebeca

 

 

Zé Otavio tem 31 anos, é formado em design gráfico pela Escola de Belas Artes de São Paulo e adora desenhar retratos de gente ilustre com um traço lindo e bem acabado, com suportes como tinta na madeira. Desenhou aqui na Folha, por exemplo, Winston Churchill para uma capa da Ilustríssima.

 

Mas eis que, nas horas vagas [talvez não necessariamente vagas], ele se dedica a um projeto pessoal chamado “É Bom para o Moral” –livretos eróticos com ilustração de posições. Sem historinha [e sem gente sendo inacreditavelmente virada do avesso como no “Kama Sutra”], mas com posições reais e maravilhosas, para deixar todo mundo cheio de fantasia na cabeça.

 

Até agora, ele lançou três livros da coleção “É Bom para o Moral”, pela editora Bebel Books. O #1 é de posições entre duas mulheres; o #2, entre um homem e uma mulher; e o #3, entre dois homens. Tem para todo gosto e dá para comprar todos no site dele: www.zeotavio.com/shop [vamos ajudar um rapaz de bom gosto para o sexo, gente!].

 

 

 

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Ilustração do “É Bom para o Moral #2”

 

 

Como ando numa fase meio empanturrada de vídeos e gente se mexendo [você pode ter percebido isso com alguns dos últimos posts, como o da metalinguagem, o da insinuação e o dos quadrinhos de Milo Manara], adorei ter conhecido o trabalho dele. Aproveitei a chance e fiz umas perguntinhas para saber o que o moço pensa da vida [sexual, é claro].

 

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X de Sexo – Em que ou quem você se inspirou para começar a fazer ilustrações eróticas?

 

Zé Otavio – Acho que isso começou quando eu era bem pequeno. Mas comecei a querer entender o corpo feminino e a ter uma atenção maior aos detalhes quando comecei a fazer aulas de modelo vivo na Belas Artes. Tinha uma modelo, a Meire, que era supersensual e ela congelava em umas posições que era uma mistura de dança contemporânea com yoga, e mais alguma coisa que não faço ideia do que seja. Ela me instigava bastante a querer desenhar mulheres nuas.

 

As posições sexuais dos livros vêm de experiências pessoais ou também de sites e livros?

 

A maioria das imagens ali foram tiradas de sites bem crus da internet, tipo pesquisa básica no Google e metade delas são fotos amadoras, mas tudo muito bem selecionado, rs. A premissa no caso do “É Bom para o Moral” era transformar algo “tosco”, primitivo, em algo mezzo poético, mas não perdendo o lado da sacanagem nua e crua.

 

 

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Capa do “É Bom para o Moral #1”

 

 

A gente fala muito no blog que, enquanto estamos fazendo um post, nos excitamos e invariavelmente nos maturbamos. Isso acontece com você quando está fazendo as ilustrações?

 

Quando eu morava e trabalhava sozinho em casa, eu quase sempre me masturbava durante uma pesquisa de imagens ou outra. Isso quebrava um pouco do flow de trabalho e me deixava preguiçoso, mas é sempre ótimo ter essa liberdade de tirar um tempo para sentir prazer durante o trabalho.

 

 

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“É Bom para o Moral #3”

 

 

Os três livros da série “É Bom para o Moral” tem sexo heterossexual, homossexual entre homens e homossexual entre mulheres. Você é bissexual, já fez muito ménage nessa vida ou se inspira em relatos de amigos e em buscas na internet?

 

Você escolheu a pessoa errada para fazer essa entrevista. 🙂 Sou hétero e nunca fiz um ménage na vida, mas eu e minha esposa nos divertimos bastante transando, ou seja, acho que é mais algo de fora mesmo. Adoro ler sobre o assunto e já li muitos livros do Pedro Juan Gutierrez, adoro “Lolita” e tem um livro que é de cabeceira, um tanto polêmico, que é “O Caderno Rosa de Lory Lamb”, da Hilda Hilst, que é essencial para quem gosta de falar, pensar e fazer sexo. Tem ilustrações picantes do Millôr.

 

Ou seja, tudo isso acaba influenciando bastante meus trabalhos eróticos e foi crucial para chegar até essa ideia de fazer o “É Bom para o Moral”. Filmes, então, eu adoro os que tratam do assunto de forma explícita, tipo o “9 Canções” e o “Azul é a Cor Mais Quente”. Tinha um blog que eu acompanhava que era demais, tinha ela no meu feed que o Google mandou pros ares e agora não sei te falar de quem era. Mas basicamente era uma garota falando de suas experiências sexuais pela madrugada paulistana, achava aquilo supersensual.

 

 

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“É Bom para o Moral #1”

 

 

Além desses livros e filmes, você consome filmes explicitamente pornôs? Compra filmes e revistas de mulher pelada ou só zapeia pela internet mesmo?

 

Não consumo mais. Já tive uma fase clássica de garoto de ir atrás de pornografia, mas não curto tanto para me dar tesão atualmente. Eu tive uma fase de “seguir” a Sasha Grey, mas era mais pelo lado do que ela falava sobre a indústria pornô e sobre ela em si do que seus filmes. Claro que existem filmes como “9 Canções” que são superlegais, mas o pornô clássico não é mais interessante para mim. Ela tem a filosofia de que é melhor fazer do que assistir… Rs