Dia da mulher-objeto (e o que é ser feminista)

Por xdesexo

Por Rebeca

 

 

Hoje todos os jornais e canais de TV estão cheios de notícias e programações sobre e para a mulher. Nesta Folha encontro textos dedicados ao feminismo (Ilustríssima), à indústria de artefatos eróticos (Mercado) e à discussão da participação da mulher em filmes pornôs (Cotidiano). E é aí que fico chocado com algumas opiniões.

 

 

As meninas do blog Think Olga, convidadas a editar uma página em Cotidiano, entrevistam a sueca Erika Lust (da produtora de pornôs feministas Lust Filmes), que diz que, SIM, o pornô pode ser feminista e que consumir pornografia pode ensinar às mulheres que elas têm o direito de fazer o que quiserem na cama; e a brasileira Nádia Lapa, especialista em gênero e sexualidade e autora do livro “Cem Homens em Um Ano”, que diz que, NÃO, o pornô não pode ser feminista e, ainda por cima faz da mulher um objeto.

 

 

Questionada se é contra a pornografia, Nádia diz que “a pornografia objetifica mulheres, mostra-as como coisas a serem utilizadas pelos homens e naturaliza a violência sexual. Os corpos das mulheres devem ter um determinado padrão: depiladas, seios grandes, pequenos lábios cirurgicamente retocados”.

 

 

Eu assisto pornôs há mais de 20 anos e juro que não consigo entender o que ela quer dizer com isso. Porque a pornografia objetifica tanto a mulher quanto o homem. Elas são “coisas a serem utilizadas pelos homens”? E os homens utilizados por elas? Sexo é vaivém, os dois são objetos do desejo. Se eu sou mulher e assisto a um pornô, para mim aquele homem é um objeto sexual, uma “coisa” a ser utilizada por mim.

 

 

Ela até poderia dizer que alguns filmes forçam situações com as mulheres, trabalho escravo, essas coisas, e que elas ganham menos que eles nessa seara (como em quase todas as outras, né Patricia Arquette?). Mas aí são outros quinhentos.

 

 

Depois ela fala que os corpos das mulheres, nos pornôs, devem ter um determinado padrão. Sim, de fato, um padrão, mas não  necessariamente o de peitos grandes e pequenos lábios “retocados”. Pelos menos não é isso que vejo por aí. Mas, sim, o padrão que já existe em outras áreas: mulheres bonitas, saradas e gostosas. Já vi muito pornô de menina de peitinho pequeno, de mulher com floresta Cláudia Ohana lá embaixo, de mulher com pequenos lábios em couve-flor (quase maiores que os grandes lábios)…

 

 

Aliás, muitos homens inclusive não circuncidados. Claro que tem filmes que são bem clichês, com a loira sarada sendo comida por um negão de pau gigante, por exemplo, mas o mundo do pornô é praticamente infinito e bem variado. Ou seja, não sei o que Nádia anda vendo por aí, mas está meio velha essa história.

 

 

E, se o assunto é feminismo (sim, eu e Diana também somos) e o direito das mulheres a fazerem o que quiserem sem serem julgadas por isso, aqui vão alguns dos nossos mandamentos:

 

 

– Ser feminista é ser mulher-objeto do sexo e do desejo quando e de quem quiser, sem ser forçada a isso. [Um homem inteligente que ganha uma feminista livre dessas na cama sabe que ela não está sendo submissa, mas na verdade a dominadora da situação.]

 

 

– Ser feminista é deixar os pelos pubianos crescerem do jeito que quiser e negar sexo ao primeiro coxinha que achar que a depilação é escolha dele [e não nossa]

 

 

– Ser feminista é fazer sexo quando quiser, mesmo que não se queira a toda hora. Aliás, ser feminista é uma mulher não ser viciada em sexo e assumir isso publicamente, como fez Dani Calabresa à revista Serafina deste mês: “Não sou viciada em sexo, acho isso deprê. Mas amo. Normalzinho já tá ótimo, gente”. [Porque tem muita gente que acha que só os ninfomaníacos são legais e vão para o céu]