Sim, a Brasileira Goza

Por xdesexo

Por Diana

 

O “X de Sexo” ganhou atenção internacional neste final de semana ao ser citado em uma matéria do jornal americano “The Washington Post”. A reportagem, intitulada O que a história de uma prostituta nos conta sobre sexo e o papel da mulher no novo Brasil, sugere que as mulheres brasileiras estão desafiando papéis tradicionais em uma “sociedade altamente sexualizada, que aceita a promiscuidade masculina mas vê com desconfiança a sexualidade feminina”. Para o “Post”, o fato de a Folha, “o maior jornal do Brasil”, ter um blog como o nosso –no qual “uma mulher recentemente detalhou como realizou sua fantasia de fazer sexo com dois homens ao mesmo tempo”– seria sinal desta revolução dos costumes.

 

crédito: http://suckmypixxxel.tumblr.com/
crédito: http://suckmypixxxel.tumblr.com/

 

Li essa reportagem ao completar dez dias co-pilotando este blog, e foi só aí que me dei conta de que duas mulheres escrevendo sobre suas experiências sexuais ainda é algo chocante (para uns e outros). Claro, eu sei que falar sobre sexo tão abertamente a ponto de sermos consideradas pornográficas é, em si, um pouco fora do padrão. Mas juro que pensei que a surpresa, se existisse, seria a sacanagem em si, e não o fato de sermos mulheres. Talvez essa minha atitude seja coisa de círculos ainda restritos, fora da realidade da maior parte do país. Eu mesma já escutei muita besteira sobre ”mulher para comer versus mulher para casar”. Ainda assim me pergunto… a mentalidade no Brasil ainda é esta? Ou será que o jornalista, que vive no Brasil desde 2007 (segundo o “Post”), está comprando o discurso oficial, que já não é dominante na prática há algum tempo?

 

Não é uma pergunta tão fácil. A reportagem do “Washington Post” usou como gancho o lançamento do livro da garota de programa Gabriela da Silva, 22, que, além de ser paga para trepar, gosta de trepar. O correspondente do jornal americano pondera que esses são “sentimentos contraditórios no Brasil, um país obcecado por sexo mas profundamente religioso, conservador e machista”. Difícil discordar totalmente, mas é o tipo de análise que me dá certa preguiça. As casas de swing estão aumentando –isso é chocante? Acho a hipocrisia e o conservadorismo mais chocantes do que a liberdade. E acredito, talvez inocentemente, que existem vários mundos dentro Brasil – como mostram, aliás, os leitores que contribuem para o blog. Dá para generalizar a nossa sexualidade assim?

 

Não que eu tenha passado incólume pelos costumes que o “Post” descreve. Ainda adolescente, minha madrinha me dizia na mesa de almoço: “Diana, homem gosta de passar a mão, mas na hora de casar eles querem as boazinhas”. Veja bem, caro leitor. Eu nem tinha beijado na boca ainda e já era alvo da pregação careta preventiva, sendo ensinada que tipo de mulher (“a boazinha”) eu deveria ser para merecer o compromisso de um homem. Mas lá do alto dos meus 13, 14 anos eu já respondia sem hesitar: “Madrinha, se eu me deparar com um babaca desses na vida, quem não vai querer ele sou EU, certo?”.

 

No discurso besta da minha madrinha e de tantos outros (as), o desejo feminino é irrelevante e o sexo (ou a sua ausência) é moeda de troca. Duas décadas depois dos discursos na mesa de almoço, sei de amigas que ainda têm prazo mínimo para transar, como se existisse um de relógio marcando a partir de que momento o cara “perdoa” você dar para ele. Sinceramente… Enquanto minhas amigas marcam dias no calendário e engolem as próprias vontades, eu e muitas outras pessoas mais bem resolvidas já vivemos relacionamentos completos, nos apaixonamos, nos desapaixonamos, gozamos loucamente, e talvez tenhamos partimos para outra (ouviu, “Washington Post”?). Como diz minha querida Rebeca, o objetivo do sexo é o sexo. Não dou para conquistar o coração de ninguém (ainda que isso possa acontecer). Não dou para arranjar namorado (ainda que, de novo, isso possa naturalmente vir a acontecer). Definitivamente não dou como prêmio por “bom comportamento”. Também não vou gostar de quem me comeu só porque gozei (apesar de que, se eu não gozar nunca, também não vou querer uma relação com essa pessoa). Dou porque gosto de sexo, porque respeito meu desejo, e porque quero ser feliz. Ponto. O que vier depois é outra história.

 

Foi pensando assim que tive, como (espero) quase qualquer adulto saudável, transas casuais. A primeira, que vou contar aqui, foi depois de um término doloroso e de algum tempo de seca. Depois de me recuperar um pouco, decidi dar um basta no celibato.   Saí com o objetivo explícito de caçar alguém para satisfazer meu desejo. Fui para um bar com uma amiga discutir o assunto, e ela, solícita, começou a procurar ali mesmo um parceiro disponível. Concordamos em um potencial “alvo” – um cara alto, com corpo de nadador, barba mal feita, e aparente bom gosto – e nos posicionamos estrategicamente atrás do grupo dele, com drinks à mão. Em pouco tempo ele veio puxar assunto. O gato, além de um charme, era inteligente e engraçado.

 

Do bar fomos para uma festa particular. Depois de uma sedução básica (de minha parte), começamos a nos agarrar em uma parte afastada do quintal. O gato se sentou em uma cadeira de sol, e eu, aos amassos, montei em seu colo. Ele abaixou minha blusa e começou a chupar meus seios ali mesmo, enquanto me segurava firme no quadril. Ficamos ali por pelo menos meia hora, quando percebemos uma câmera de segurança na área. Rimos um pouco e nos levantamos. Era hora de procurar um lugar com mais privacidade.

 

Como eu nunca tinha feito isso antes, fiquei um pouco apreensiva de ir sozinha para a casa de um estranho. Ele achou meu medo natural e passou seu número de telefone e endereço para minha amiga (ela ligou na hora para testar). Eu combinei de dar notícias mais tarde para dizer se estava tudo bem e, com o tesão nas alturas, parti para a casa do desconhecido.   No taxi, a agarração continuou. Depois de uns beijos e mordidas leves, ele colocou a mão por baixo da minha mini-saia e, afastando a calcinha para o lado, começou a massagear meu clitóris. Eu ainda tentei disfarçar, mas não aguentei muito tempo – arfando, esqueci a presença do motorista e abri mais as pernas, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. O gato colocou um dedo na vagina já encharcada, depois dois, e, controlando o plano de visão do taxista, me provocou até chegar em casa, quase me fazendo gozar ali mesmo. Eu gemia, de olhos fechados, e pedia mais. O pobre motorista ouvia tudo, mas não conseguia ver a mão dele entre as minhas pernas. Acho que a corrida foi um pouco mais longa do que o estritamente necessário.

 

O gato morava sozinho em um flat confortável. Foi só fechar a porta e me levantou pela cintura, pressionando meu corpo contra a parede e me beijando fortemente nos lábios. Eu cruzei as pernas atras de suas costas e me encaixei bem em seu quadril, sentindo seu pau duro. Respirando pesado, ele arrancou meu top e voltou a sugar meus seios, ainda me segurando contra a parede. Quase sem fôlego, me carregou até o sofá. Em meu estado de excitação total, fui desabotoando sua camisa preta aos poucos. Não acreditava no que via: já tinha sentido a barriga definida com as mãos, mas o corpo do meu gato desconhecido era melhor do que eu imaginava. Parei para admirá-lo sob a luz baixa do apartamento, e sei que o tesão estava estampado na minha cara. Continuei tirando a roupa dele. Sentado, comigo ajoelhada entre suas pernas, ele foi chupado por um bom tempo, com uma gula incontrolável.

 

Com seu gosto na boca, me levantei e terminei de tirar a roupa, enquanto o gato me olhava. Uma vez nua, me sentei sobre ele, que me penetrou devagar, deixando minha umidade escorrer aos poucos em seu pau. Transamos ali mesmo no sofá, trêmulos, aos agarros.   Depois de gozarmos (eu primeiro, depois ele), ficamos um tempo imóveis, curtindo o prazer que acabáramos de sentir. Eu então me levantei e fui, nua, até a cozinha beber um pouco de água. A cozinha era no mesmo cômodo, separada da sala apenas por uma bancada de mármore. Eu me sentei na bancada, de pernas cruzadas, e fiquei ali, distraída, bebendo água e pensando na minha sorte em estrear uma transa casual com um sujeito como aquele. Ainda estava em êxtase quando ele se aproximou da mesa. Devia ser uma cena bonita: nós dois nus, sob uma luz baixa discreta, com a lua cheia lá fora.   Meu estranho começou a beijar meu pescoço e, descendo, se demorou de novo nos seios. Percebi que ele estava duro novamente. O gato continuou a me beijar, descendo pela barriga, mais, mais, até se ajoelhar aos pés da bancada e me dar uma das melhores chupadas da minha vida, sob a luz da lua. Depois que eu gozei, ele me comeu novamente, me virando de costas no mármore frio e me penetrando por trás. Ao final, gozou loucamente sobre as minhas costas.

 

Na manhã seguinte, eu não sabia bem como agir. Fora uma transa mais do que casual — mas tão boa que, confesso, eu queria mais. Pensei que o tesão poderia ser recíproco e ofereci meu telefone, na cara dura. Ele riu e aceitou, e me lembrou que eu também tinha o número dele.

 

Eu liguei primeiro, e consegui o que queria. Esse gato me fez feliz de novo várias vezes naquela mesa da cozinha. Nos demos muito bem, por um bom tempo. Não, esse tesão todo não levou nenhum dos dois a se apaixonar, mas continuamos amigos até hoje. Temos outros parceiros que também se conhecem e também são amigos. Tudo isso, imagine você, no Brasil, um país “conservador, religioso e machista”, que “vê com desconfiança a sexualidade da mulher”.   Eu sei que tive sorte nesta primeira trepada com um desconhecido, e já dei azar também. Babacas existem aos montes. Mas nosso Brasil “obcecado por sexo” também está cheio de gente legal, que sabe que uma pessoa que gosta de trepar não necessariamente se define por isso. Como eu, esses sujeitos entendem que uma trepada pode ser suficiente em si ou levar a duas, três, ou quatrocentas outras, com ou sem amor. Volto a perguntar  –isso lá é alguma revolução? Me diga você, leitor. Me parece algo já antiquado.

 

…Só não conte para minha madrinha.