Nossa última vez

Por X de Sexo
Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com
Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Por que transformamos em mito a nossa primeira vez, mas nunca falamos da última?

 

Eu lembro das minhas últimas. Na verdade, muito mais que da primeira -dessa, aliás, não lembro absolutamente nada.

 

As últimas têm mais nuances, passam do drama à risada, e muitas são únicas pelo fato de serem primeiras e últimas ao mesmo tempo.

 

Existe aquela, por exemplo, na cama da pousada em que passamos as últimas férias. Eu já sabia que não queria mais aquilo, que foi legal, que houve amor [e ainda talvez houvesse], mas que estava faltando tudo que nos uniu, apaixonadamente, anos antes…

 

Aí você mergulha entre os lençóis sabendo que será “A Última”, “a da despedida”, porque pouco depois vai vir “a conversa”, porque não funciona mais. Ele também sabe. Curte a transa, que sempre foi boa, mas tem que resgatar lembranças do passado para manter a excitação. Escorre uma lágrima ciente de que está dizendo adeus… Em resumo: vai ser uma das piores -e mais lembradas- comidas da sua história.

 

Há outras últimas vezes de menos drama, apesar do peso que sempre acompanha a palavra “última”.

 

Lembro de cada uma das últimas com aquele idiota. Aquilo era tão precário que todas poderiam ser o ponto final. Ai você tentava convertê-las em primeiras, tentando que todas fossem únicas e maravilhosas para que aquilo não tivesse fim. Passado o tempo, me recordo e recupero a verdadeira última: a pior de todas. Hoje em dia já consigo soltar uma gargalhada.

 

Tem também aquela que é para levar as mãos à cabeça. Aquela na que você consegue marcar com aquele cara que perseguiu por semanas. Você espera o encontro dos encontros, mas ele te leva a dançar, e não dança. Vão beber, mas ele fica enjoado com uma cerveja. Ele te convence a ir para a casa dele, mas mora em um quarto de dois metros quadrados em uma república estudantil. Quer transar, mas aquilo não sobe. Ele não sabe colocar a camisinha. Não consegue te excitar, não sabe chupar e, no dia seguinte, quer fazer plano de namorado. Sim, essa será a primeira e a última. Não tem segunda chance depois de errar todos os placares do bolão.

 

Outra última vez: a que você não sabia que seria derradeira, mas de repente tornou-se. A noite em que passaram pela sala, escritório, cozinha, banheiro e quarto, madrugada e manhã a dentro. Em que transaram olhando a noite pela janela e não dormiram, pois a cada meia hora um dos dois acordava louco de tesão e algo recomeçava, entre beijos, braços e suspiros. Uma transa que parecia anteceder muitos outros capítulos de obra-prima, em que não houve despedida, tchau, afinal fora incrível, mas que, por rumos da vida, virou a última. Tipo o clichê de fechar com chave de ouro uma jornada de anos indescritíveis, mas aqui caberia mais fechar com carinhos, orgasmos e suspiros infindáveis.

 

É mais ou menos nessa toada de coisa boa esta última de hoje: a NOSSA última com vocês.

 

Não, vocês não foram maus amantes, nem deixamos de gostar desse nosso espaço, o nosso tesão não acabou. Mas a vida nos leva por outros caminhos e não conseguimos cuidar disto como merece. E aqui, como na cama, melhor não fazer a fazer de qualquer jeito.

 

Vocês, leitores, têm sido nossos parceiros secretos durante quase um ano. Têm escrito centenas de emails com suas histórias e acompanhado cada publicação mesmo sem o lubrificante “mágico” das redes sociais. Ficamos lisonjeadas com tanto comparecimento, e retornos, e textos nos cobrando que apareçamos mais…

 

A gente riu muito com algumas mensagens, se identificou demais com outras e sentimos muito tesão com a maioria dos relatos.

 

Foi uma experiência muito boa ter, aqui na Folha, espaço e liberdade para falar sobre um assunto ainda tabu na nossa sociedade. Foi legal ver como namorados, amantes e amigos curtiam daquele outro mundo anônimo, em que todos falamos o que pensamos, mas… devemos dizer tchau, babies. Talvez, até mais.