Dois erros (ou poréns) do sexo moderno

Por X de Sexo

por Ana

 

Desta vez pedi socorro às minhas amigas, sempre dispostas a falar de sexo, que me ajudassem a escrever o post. Não deu certo. Talvez porque estamos ficando velhas, maduras, e, tentamos acreditar, interessantes. Aquela espontaneidade irresponsável com a qual costumávamos falar sobre as nossas relações foi substituída por reflexões, pesadas para um pós-feriado, que abrangem do individualismo à alienação de corpo e mente (sim, parece filosofia), passando pelo sexo consumista.

 

Confesso que não consegui concluir nada a partir do que estava deixando-as inquietas, mas tirei da masturbação mental DUAS ideias que, sim, se conectam com o que, entendo eu, uma mulher independente, resolvida e, por consequência, desejada, acaba por colocar em xeque algum dia.

 

– O orgasmo como meta. “É algo complexo, mas às vezes, quando transo, tenho a impressão de que a outra pessoa e eu somos elementos que estão se dando uma mão para atingir um objetivo final: gozar. Mas separados”, me disse uma delas. “Porque gozar ao mesmo tempo é uma lenda urbana”, adiciona rapidamente. Na verdade, para mim, é só um prêmio improvável e não impossível, mas quantas vezes entramos entre os lençóis para resolver nossas próprias carências, para um exercício de sexo prático, para vernizar o ego…

 

Seu encontro depende do seu orgasmo?​ ​Sim. Mas, certamente, há encontros muitos ruins, embora se goze, e momentos maravilhosos sem êxtase final.​​

 

Tanto é assim que me sinto muito mais liberta quando esqueço o padrão beija+carícia+penetra+goza. Quando é assim, o orgasmos (sim, em plural) chegam sozinhos.​ O orgasmo, no final das contas, é só uma referência, uma meta de um caminho gostoso, entremeado de eletrochoques, tão ou mais satisfatórios que o sobre-dimensionado e ansiado gozo final.

 

De passagem, uma dica bem pessoal. Não me perguntem se gozei. Ou são tão bons como para percebê-lo sem precisar de confirmação ou, obviamente, não, não gozei e prefiro não ter que explicar o porquê.

 

– Por que esquecemos dos beijos? “Um cubano com quem eu fiquei me deu o beijo mais comprido da minha vida. O tempo que demorou a viagem de taxi até o aeroporto. Sem mexer os lábios, apenas colando-os. Molhei tanto a calcinha que acabei manchando o vestido”.

 

As amigas lamentam como os beijos perderam protagonismo na paquera e nos relacionamentos. “Desde então, tento repetir a experiência com os caras com os que fico, mas não me seguem mais de dez segundos. Acho que não entendem a intenção”.

 

A intenção imagino que é sentir, fluir, tentar recriar aquilo que houve com aquele cubano, embora para ele seja o protocolo habitual de atuação com as turistas da ilha à caminho do aeroporto. Ela diz que recebeu uma lição importante, e que não foi sobre amor.

 

Os beijos são aquilo que você faz antes –e independentemente- de transar. Se ele beija bem, e ainda gosta de fazer, é um presente. Quanto tempo você dedica a beijar de verdade? Olhe para atrás, consegue ficar louca apenas com os beijos do seu parceiro? Não seria ótimo que fosse assim?

 

“Um dia desafiei um cara, de brincadeira, a me beijar na música mais longa que ele encontrasse. Não transamos no dia que ela tocou o rádio, mas foi um dos mais incríveis que tive com ele”, conta Lia. E ela confessa que se o cara não gosta de beijo na boca ou não se demora nisso, não vai pra cama com ele de jeito nenhum, por nenhum motivo no mundo.