X de Sexo

A cama é de todos

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Blog fala de sexo a partir de histórias do dia a dia, narra experiências reais e conta com a colaboração de leitores. É produzido de forma anônima.

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Quando você acha que vai, só que não

Por X de Sexo

Quem volta a escrever hoje é um leitor que merece ter dois posts publicados! E essa segunda vez é tao legal quanto a primeira, quando ele falou sobre os pelos e os cabelos de uma mulher (Estica e puxa, ou os cabelos no sexo).

 

Para enviar os seus, basta mandar para blogxdesexo@gmail.com. Seu anonimato, assim como o nosso, será preservado caso prefira.

 

***

 

por Mário

 

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Crédito: suckmypixxxel

 

A “primeira vez” é uma experiência mais mítica do propriamente inesquecível para qualquer pessoa, de qualquer sexo. A maioria de nós concordaria que os contos de Valisère não enchem blog de ninguém, muito menos este.

 

Por sinal, e pra variar, a minha foi ruim, péssima, horrível. Nervosíssima, rápida, sem nenhuma graça, a bola sofrendo para cruzar a linha e configurar o que, pelo padrão Fifa, chama-se gol. Por fim entrou.

 

Há uma primeira vez, porém, que é decerto inesquecível para os homens. É quando a bola NÃO cruza o gol, e ele fica mais envergonhado do que Geoff Hurst cabeceando na final da Copa de 1966 -porque, por sinal, o inglês nem vermelho ficou com o não-gol que deu a taça à Inglaterra. Na cama, a estreia de um homem nesse time se parece sempre uma tragédia de Sarrià.

 

A minha primeira vez aconteceu na minha segunda vez.

 

Ela era linda. Muito. Das mulheres mais bonitas com quem já saí, corpo espetacular. Não propriamente um bom papo, mas, vá lá, dava para aguentar.

 

Saímos algumas vezes, eu muito novo, ela teoricamente muito ciosa das tradições, demorou até que eu a conseguisse convencer para dar uma volta mais longa de carro. Amasso vai, amasso vem, devo ter cometido a mais longa chupada da história dos peitos femininos. Foi ótimo, claro, mas me dei conta do erro tático quando vi a lanterna de um guarda apontando na janela. Só deu tempo de engatar a marcha e sair zarpado de lá.

 

Ficamos sem nos ver por um bom tempo, toquei minha vida, soube que ela também tocou a dela, até que um dia ela reapareceu. Telefone toca durante o almoço. Me chamam. Era ela. Começou com aquele papo-aranha, saudades, vamos tomar algo etc etc etc. Eu coloquei o telefone para fora da janela, para que ninguém ouvisse, e disse, voz firme: “Eu só saio com você se puder passar, te pegar e te levar para onde eu quiser”. Ela assentiu.

 

Na noite combinada, quando eu saía para buscá-la, meu irmão me pede carona. Pior ainda era a equação geográfica. Eu estava num bairro, numa ponta da zona sul cidade. O meu alvo estava ali também, mas eu precisava levá-lo para a outra ponta da cidade, no extremo da zona norte. Horário péssimo, de pico, trânsito surreal.

 

Ao pedir o carro emprestado, ainda tinha dito que ia direto para justamente para a zona norte, e meu irmão queria ir pra lá também. Tive que ir até lá, deixá-lo, voltar tantos quilômetros, cruzar avenidas, buscar meu alvo, e ir de novo para o motel de onde tinha acabado de vir. A longa travessia em busca de sexo.

 

Quando finalmente parei o carro no motel, minha pressa era tanta que não notei uma arma letal parada sobre a porta do carro: um mega objeto de decoração. Ao levantar-me do carro, arrebentei a cabeça num rio de sangue.

 

Fomos para o quarto até passar a dor.

 

Daí engatamos o que tínhamos ido fazer inicialmente. Ou melhor, eu não engatei. Nem pegando no tranco. Tentamos aqui e acolá, e nada. Acabei por desistir de mim e, digamos, me concentrei na diversão dela. No fim, além de toda minha irritação, ainda tive que ouvi-la dizer que era virgem -o que eu sabia ser uma imensa mentira.

 

Foi o segundo turno da broxada.

 

Nunca mais a procurei. Ela até puxou conversa outras vezes, me ligou em casa, mas fugi. A vergonha masculina eu tinha até conseguido resolver comigo mesmo, mas tinha definitivamente perdido o tesão por ela.

 

Com os anos, qualquer homem vai aprendendo que isso pode acontecer eventualmente por n motivos, que há maneiras de jogar sem bola, como Tostão, e que, em qualquer cenário, sempre é tempo de virar o duelo, na hora, na prorrogação ou no final de semana seguinte. Para quem sabe jogar, sexo é pontos corridos, e não mata-mata.

 

Mas a verdadeira estreia no campeonato é sempre marcante.

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