X de Sexo

A cama é de todos

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Blog fala de sexo a partir de histórias do dia a dia, narra experiências reais e conta com a colaboração de leitores. É produzido de forma anônima.

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Aprendendo a correr

Por X de Sexo

por Ana

 

Crédito: www.flickr.com/photos/melisaki
Crédito: www.flickr.com/photos/melisaki

 

O dia em que ele me beijou, naquela rua escura, pensei: “não faz, não faz, não faz”. Tinha várias razões para sair de lá correndo.

Não gosto de homens que são uma explosão de sentimentos negativos quando falam de relacionamentos passados. Gosto menos ainda se, por acaso, esses homens de sorriso bonito, morarem no andar debaixo do meu. E, sobretudo, se tenho a certeza de que a química entre nossos corpos e conversas nada têm demais, são só papo de elevador.

 

Me enganei.

 

Aquele beijo me envenenou. Injetou  em mim um tóxico que, bem devagar, foi penetrando em cada parte do meu corpo. Entramos no carro e rumamos para casa com seis cervejas nas mãos.

 

 

Ele não parava de me beijar. Quando me jogou na cama, percebi que não era brincadeira e que já não tinha como sair dali e reduzir tudo aquilo a um simples beijo, que me permitisse, no dia seguinte, falar um “oi” como se nada tivesse acontecido. Ainda naquela hora pensei que nossos corpos não iriam “se entender”. Que mais uma vez ia perder meu tempo… Me enganei de novo –estava ficando chato isso, já.

 

Mas naquele dia ele me comeu como poucos fizeram. Eu não estou acostumada que alguém consiga gozar simplesmente acompanhando os movimentos do meu corpo, que olhe nos meus olhos com o único interesse de ficar mais dentro de mim, que olhe sem procurar repostas. Não estou acostumada ao fato de o outro já ter todas as respostas. Infelizmente, sempre acabo me adaptando ao ritmo deles, rápido demais na maioria das vezes. Minha pele dificilmente se funde com a de alguém.

 

Poucas vezes me acontece que ele gema comigo e que, com esses sons cantados nos nossos ouvidos, caiamos um sobre o outro, exaustos, ao mesmo tempo. Foi só com ele e, mais fácil, com namorados com quem treinei por anos.

 

Numa nuvem de gozo, ele me aranhava o corpo, desde os ombros até as coxas, uma e outra vez, até que meus músculos paravam de tremer.

 

Como ele era bom.

 

Tal cena se repetiu várias vezes, suficientes para que aquele veneno me impedisse de pensar direito. Eu não queria ele para mim, mas queria ele perto, no mesmo andar, se  fosse possível. Só que ele não queria o mesmo.

 

Também não estou acostumada a que me recusem. Ele rasgou minhas regras.

 

Se deu mal.

 

Eu decidi lutar pelo que eu queria –pegar ele sem descanso-, mas sem mostrar todas as cartas –que eu gostava dele mais do que ele (e eu) pensava…

 

Mas, enquanto você desenha uma sigilosa estratégia da conquista do andar alheio, a outra pessoa percebe tudo, e com muita mais claridade que você. E você, que não quer aceitar aquilo, continua se comportando como uma lagartinha que se arrastra pelo chão. Um “lindo” numa mensagem, um “quando você quiser” em outra ou uma “?” diante um torpedo  sem resposta afogam qualquer tentativa de enganar-lhe. Ele já sabe o que você está tentando e não vai cair na sua.

 

Ele “está sem cabeça”, “ele não está pronto” (para o quê, eu me pergunto??), ele está sofrendo. Ele, ele , ele, ele… Que, no final, não por acaso, é o protagonista da história.

 

Assim foi que, um ano depois, eu consigo falar “oi” todo dia como se nada tivesse acontecido. Afinal, não era tão difícil, penso…

 

Só que, em silêncio, assisto àquela sequência de sexo, elevadores, motéis, cervejas, abraços, beijos, veneno e gozo que irrompe na minha cabeça toda vez que sinto ele se aproximando.

 

O orgulho, agora, me impede de voltar a cama dele -há dias que o culpo, injustamente, por ter começado aquela coisa, quando eu só queria ter saído correndo- mas vontade não  me falta…

 

A boa notícia e que já comprei um par novo de tênis.

 

***

 

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