X de Sexo

A cama é de todos

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Blog fala de sexo a partir de histórias do dia a dia, narra experiências reais e conta com a colaboração de leitores. É produzido de forma anônima.

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Derrubando mitos – Parte 1

Por X de Sexo
Crédito: anankasm-control.tumblr.com

 

por Ana

 

Eu tinha certeza de que morreria sem ter transado em um avião. Toda vez que entrava em um desses banheiros minúsculos cheirando a desinfetante olhava para todos os cantos imaginando meu corpo se encaixando neles tentando conseguir o mínimo de prazer. Pensava ainda que ou o desconhecido conseguiria surpreender-me muito ou minha imaginação chegava logo ao limite possível.

 

Foi da fileira 12 daquele vôo da TAM São Paulo-Paris que vi meu presente de Natal apresentado em bandeja de prata. Eu teria 11 horas para desembrulhá-lo.

 

Gostei dele porque, ao perceber minha presença, não demorou em tirar minha roupa só com os olhos. Trocamos olhares, algo que pareciam sorrisos. Tentei aproximar meu nariz de seu pescoço enquanto lutava como o bagageiro. Sim, o presente parecia dos bons -o que, já sabem, acontece poucas vezes.

 

Nesse sentido, a compra de passagens on-line sempre me dá as costas e me coloca do lado de idosas, mães com bebês chorosos ou caras fedorentos. Nunca, nunca, nunca, fico sequer próxima do tipo de homem que me atrai.

 

Ele começou o cortejo me oferecendo um chocolate amargo, puro. Eu não sou nada fã, mas comi aquilo fingindo prazer e elogiando como tal massa preta grudava em meus dentes. Depois, foi minha vez. Cutuquei-o para que me ajudasse a entender as configurações da tela da TV. Roçou minha mão enquanto me explicava tudo aquilo que eu fingia –de novo- não saber.

 

Apagaram as luzes, e o vôo ficou em silêncio e na penumbra. Parecia que só nós dois nos arrepiamos naquele momento. Ele mudou de lugar e sentou-se ao meu lado. Grudamos nossas mãos, ele tocou minha cabeça enquanto eu fingia dormir, percorreu meu pescoço, mediu minhas costas… Nos beijamos.

 

Legal, certo? Fácil, não? Eu já pensava como minhas amigas morreriam ao saber da minha transa espetacular enquanto atravessava o Atlântico… Só que não.

 

Enquanto ele tentava me excitar supostamente acariciando cada parte do meu corpo, eu me retorcia de dor. E o pior era que ele não percebia.

 

Pegava minha mão e apertava tanto que eu gemia (de dor!); segurava meus braços de tal forma que eu realmente pensei que tinha sido abençoada com um louco psicopata e que, sim, morreria sem ter transado em um avião bem antes do previsto. Qualquer carícia que ele me dedicava se tornava um castigo.

 

Comecei a ver ele como um tarado, mas aguentei -afinal, o único erro dele era apertar demais. Foi então que ele descobriu minha barriga, ou melhor, descobriu as dobras da minha barriga. Pegou uma e esticou.

 

– Aaaiiii!

 

Senti que tinha acordado o avião todo.

 

Chega de atuar.

 

-Meu, por que você fez isso?

 

Silêncio.

 

Como me incomodava mais mudar de cadeira a fingir de novo, avisei que iria a dormir. Bati meu recorde e fingi 11 horas seguidas, enquanto ele não desistia e velava meu sono com sua mão poderosa em mim.

 

Uma vez em território europeu, dei um beijo nele e, como nosso inspirador Xico Sá já notou, proferi aquele velho papo de “A gente se vê”.

 

E agora, me expliquem, por favor: quem inventou essa história de que transar no avião deve ser uma fantasia a ser cumprida o quanto antes?

 

***

 

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