X de Sexo

A cama é de todos

Perfil Ana e Lia escrevem e coordenam a brincadeira

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Dois erros (ou poréns) do sexo moderno

por Ana

 

Desta vez pedi socorro às minhas amigas, sempre dispostas a falar de sexo, que me ajudassem a escrever o post. Não deu certo. Talvez porque estamos ficando velhas, maduras, e, tentamos acreditar, interessantes. Aquela espontaneidade irresponsável com a qual costumávamos falar sobre as nossas relações foi substituída por reflexões, pesadas para um pós-feriado, que abrangem do individualismo à alienação de corpo e mente (sim, parece filosofia), passando pelo sexo consumista.

 

Confesso que não consegui concluir nada a partir do que estava deixando-as inquietas, mas tirei da masturbação mental DUAS ideias que, sim, se conectam com o que, entendo eu, uma mulher independente, resolvida e, por consequência, desejada, acaba por colocar em xeque algum dia.

 

- O orgasmo como meta. “É algo complexo, mas às vezes, quando transo, tenho a impressão de que a outra pessoa e eu somos elementos que estão se dando uma mão para atingir um objetivo final: gozar. Mas separados”, me disse uma delas. “Porque gozar ao mesmo tempo é uma lenda urbana”, adiciona rapidamente. Na verdade, para mim, é só um prêmio improvável e não impossível, mas quantas vezes entramos entre os lençóis para resolver nossas próprias carências, para um exercício de sexo prático, para vernizar o ego…

 

Seu encontro depende do seu orgasmo?​ ​Sim. Mas, certamente, há encontros muitos ruins, embora se goze, e momentos maravilhosos sem êxtase final.​​

 

Tanto é assim que me sinto muito mais liberta quando esqueço o padrão beija+carícia+penetra+goza. Quando é assim, o orgasmos (sim, em plural) chegam sozinhos.​ O orgasmo, no final das contas, é só uma referência, uma meta de um caminho gostoso, entremeado de eletrochoques, tão ou mais satisfatórios que o sobre-dimensionado e ansiado gozo final.

 

De passagem, uma dica bem pessoal. Não me perguntem se gozei. Ou são tão bons como para percebê-lo sem precisar de confirmação ou, obviamente, não, não gozei e prefiro não ter que explicar o porquê.

 

- Por que esquecemos dos beijos? ”Um cubano com quem eu fiquei me deu o beijo mais comprido da minha vida. O tempo que demorou a viagem de taxi até o aeroporto. Sem mexer os lábios, apenas colando-os. Molhei tanto a calcinha que acabei manchando o vestido”.

 

As amigas lamentam como os beijos perderam protagonismo na paquera e nos relacionamentos. “Desde então, tento repetir a experiência com os caras com os que fico, mas não me seguem mais de dez segundos. Acho que não entendem a intenção”.

 

A intenção imagino que é sentir, fluir, tentar recriar aquilo que houve com aquele cubano, embora para ele seja o protocolo habitual de atuação com as turistas da ilha à caminho do aeroporto. Ela diz que recebeu uma lição importante, e que não foi sobre amor.

 

Os beijos são aquilo que você faz antes –e independentemente- de transar. Se ele beija bem, e ainda gosta de fazer, é um presente. Quanto tempo você dedica a beijar de verdade? Olhe para atrás, consegue ficar louca apenas com os beijos do seu parceiro? Não seria ótimo que fosse assim?

 

“Um dia desafiei um cara, de brincadeira, a me beijar na música mais longa que ele encontrasse. Não transamos no dia que ela tocou o rádio, mas foi um dos mais incríveis que tive com ele”, conta Lia. E ela confessa que se o cara não gosta de beijo na boca ou não se demora nisso, não vai pra cama com ele de jeito nenhum, por nenhum motivo no mundo.

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Vale tudo no sexo casual?

por Lia

 

Uma pesquisa do site C-date perguntou a mulheres e homens se vale tudo no sexo casual.

 

Das mulheres ouvidas, 64,32% afirmaram que topariam tudo, enquanto 4,85% das entrevistadas disseram “não”. Talvez mais realistas, 30,83% dizem que topariam dependendo do parceiro. omens pensam um pouco diferente.

 

Na pesquisa feita com eles, 59,22% disseram “sim”, 7,12% “não” e 33,66% dependeriam da parceira.

 

Eu acho que sexo casual é sexo, e sexo é legal quase sempre. E quando você não está em um relacionamento estável ou com um único parceiro (namorado, marido ou qualquer coisa que o valha), é a única forma de existir sexo na vida, fato.

 

Mas sim, existem nuances. Existe o sexo casual com uma pessoa fixa, com quem você sai por longos períodos e topa tudo. A pessoa te conhece bem, então existe intimidade. Fica mais divertido e mais fácil inventar. É o cara com quem você arrisca transar no carro no meio da rua, por exemplo.

 
Existe o sexo casual com alguém que você já conhece, mas não acontece sempre, algo mais parecido com o de cima. E existe outro tipo de sexo casual, com o cara que você conhece numa festa, por exemplo, e pode ter uma noite legal, mas não, você não quer dizer pra ele rasgar sua roupa.

 

Dos sexos absolutamente casuais da minha vida, com quem você não cruza mais (ou cruza outras pouquíssimas vezes), confesso que APENAS dois casos foram incrivelmente fantásticos, daqueles em que saímos anestesiadas, com super poderes.

 
O último eu descobri no Reveillón, numa noite em que estar no meio do breu e da madrugada numa praia, com pessoas caminhando a alguns metros de mim. Perder os brincos favoritos naquele dia valeu enormemente, como os outros encontros com ele.

 
Mas é claro que a chance de sair satisfeitíssima no segundo caso é menor. Mas nem por isso vou deixar de fazer, pois é o caminho de se chegar à primeira opção.

 

Outra coisa legal do sexo casual é que ele não te obriga a ligar, mas também não te proíbe. Ele não te força a ir na casa da sogra, mas também não impede um jantar. Ele simplesmente te dá liberdade. Mas, sim, o risco de se apaixonar pelo sexo casual ou sofrer porque ele foi casual quando você queria mais está lá, latente.

 

Segundo responderam 1.258 usuários brasileiros da pesquisa que citei no início, 36,96% de homens e mulheres topam por se sentirem sozinhos…A segunda resposta mais dada (25,2%) diz que o motivo seria apenas diversão, e a terceira, uma variação da segunda (19,4%), para aliviar a tensão do dia.

 

Se seu objetivo são as duas últimas, vá fundo. Recomendo. Se é o primeiro, aproveite também, mas saiba que não, o sexo casual NÃO vai preencher o que você quer preencher.

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Rapidinha: Ruiva e… amiga da minha mãe

por Carlos

 

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Por conta de uma casualidade, naquela vez fui para a chácara da familia sozinho.

 

“V” sempre foi muito próxima a mim. Prima da minha mãe, quarentona, ruiva, seios fartos e uma bunda de respeito. Sempre dormíamos no mesmo quarto em situações assim. Certa vez, quando dormi na casa dela com uma namorada, fodia a mesma enquanto ela fingia que dormia. Lógico que ela ouviu tudo e, hoje, tenho certeza que isso acabou incitando-a.

 

Naquela noite, após uma conversa mais picante em que elogiei os seios gostosos dela, com delicadeza óbvia, e após algumas cervejas, eu a via jogar sinuca com meus primos.

 

O corpo dela era surpreendente, ainda usava um biquíni pequeno. Ela perdia. Fui ajudá-la, me encaixei atrás dela com as mãos em sua cintura e forcei-a a se curvar, minha barba roçava em suas costas. Ela errou a jogada…

 

Em seguida desistiu do jogo e me pediu pra parar… Afinal, aquilo não era certo, e que minha mãe a mataria se soubesse no que ela pensava, blá blá. Ficamos conversando baixo por alguns minutos, até que meus primos subiram… Nessa hora, beijei-a, e ela derreteu.

 

Peguei-a pela cintura e coloquei-a na mesa de pingue-pongue. Com as pernas abertas, ela roçava seu sexo em mim enquanto eu beijava sua boca intensamente, e minhas mãos apertavam sua bunda, forçando seu quadril ainda mais contra o meu.

 

Nesse momento quase fomos pegos, era minha mãe me avisando que iria embora.

 

Passado o susto, a convenci com minha mão dentro da calcinha do biquíni que era melhor continuarmos. Sua mão então se lançou pra dentro de minha sunga, começando a me masturbar. Enquanto isso, puxava seu biquíni de lado e meus dedos a invadiam enquanto eu chupava seus peitos, arrepiados e duros.

 

Sem o menor remorso, ela ficou de quatro em cima da mesa e, com o biquíni ainda de lado, me ordenou chupá-la. Prontamente obedeci, e minha lingua a invadia, enquanto meus dedos brincavam com seu clitóris. E gemia baixo, com medo de ser pega. Logo ela gozava com minha língua, e foi desmanchando em cima da mesa, até suas pernas serem derrubadas pra fora, deixando sua bunda na altura perfeita pra eu devorá-la.

 

Tirei meu pau duro, e sem pedir permissão, coloquei dentro dela de uma vez. Sentia meu pau apertado dentro dela, fazia tempo que não era fodida. Ela deu um gritinho, depois me disse que não foi porque doeu, e sim por um misto de surpresa e tesão.

 

Segurei em sua cintura com força e comecei a penetrá-la sem parar. Fundo. E ela me pedia: “Me fode, por favor me fode.” Como eu poderia negar um pedido tão perfeito desses?

 

A cada palavra dela, um tapa em sua bunda era dado e penetrava ainda mais forte.

 

Até que senti ela começar a gozar novamente, o que faz meu pau ser apertado ainda mais dentro dela, o que me faz perder o controle e gozar intensamente.

 

Virei-a pra mim, em seguida, segurei seus cabelos pela nuca e a beijei, tirando o ar dela. Em seguida, sentamos na mesa e fumamos um cigarro.

 

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Quando descobri o “não amor” de um amor

Esse texto abaixo chegou por e-mail, de uma leitora que conta sobre uma experiência de sua vida e nos tocou. Chegou após o post “Os não amores“.

 

Quem quiser escrever, contar uma história, já sabe, guardamos seu nome se preferir o anonimato: blogxdesexo@gmail.com

 

***

 

por Clara

 

Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Ana,

 

Achei que valeria vir aqui e falar, afinal, sem saber, você já entrou na minha história, na minha análise, no meu relacionamento.

 

No dia 19, em uma tarde pouco produtiva de trabalho, vagando pela minha página do Facebook, encontrei um post da Folha direcionando para o texto “Os ‘não amores’”. Por um segundo me identifiquei, cliquei e li, pensando que aquilo refletia os meus ‘não amores’ e me fez retomar histórias, sensações e boas lembranças. Li sorrindo. Me fez me sentir humana, inteira e por que não normal, ao ver que outros também tem seus não amores. Muito bem, retomando essa parte da minha vida essas lembranças ficaram acesas aqui.

 

Essa semana, por uma série da fatos, descobri que meu noivo (não curto a palavra, mas traz o “peso” necessário) estava tendo um novo amor. Dilacera por dentro, dói e está doendo. Poxa, 6 anos de um relacionamento super equilibrado, cheio de trocas e respeito e pá! Uma paulada na cabeça…

 

Fui entendendo nas conversas doídas (e no acesso de loucura, invasão e auto destruição que me levou a ler os 200 emails trocados por eles) que se tratava de um “não amor”, que ele se confundiu, se perdeu na história, no frio na barriga, no novo e no leve que traz um “não amor”. Dói, tá doendo… Mas lembrei do texto, lembrei dos meus “não amores”, um nesse relacionamento e outro de um passado mais distante, e me lembrei que me senti humana. Se eu me senti humana, é humano pra todos então… É pra ele também.

 

O problema é quando o “não amor” vem à tona, e se mistura na história do outro, foi o que aconteceu aqui, e é com o que eu vou tentar lidar e encontrar um caminho, agora não dá, agora dói, mas uma hora resolve.

 

A consequência da leitura do texto então foi separar e entender no meio disso tudo que o “não amor” também faz parte, faz parte da vida, faz parte dos relacionamentos e entender e ter consciência disso é essencial, acho que vai me fazer passar por isso de uma forma mais fácil.

 

Então, obrigada pelo texto, numa hora tão certa da minha vida.

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Como deve ser difícil ser homem

por Ana

 

Crédito: Folhapress

Crédito: Folhapress

 

Confesso que eu nunca quis ser homem. E agora, que pesquisas, comentários surreais, comerciais sexistas “não autorizados” no rádio e a moda dos encoxamentos chegaram ao meu Facebook, muito menos. Imagino como é difícil ser vocês, homens.

 

Deve ser um desafio sair na rua e se conter quando todas essas coxas saem a mostra ao chegar da primavera, entrar no metrô e sentir os peitos de uma mulher roçando no seu cotovelo, olhar com inocência uma menina saindo da escola de uniforme. Que desafio, queridos, isso de manter a distância, e respeitar essas mulheres como vocês gostariam que respeitassem suas irmãs ou mães.

 

Ao contrário, ser mulher é fácil demais.

 

Para estrear um vestido, apenas tenho que me olhar 20 vezes no espelho fiscalizando potenciais transparências, convencer aos homens que me querem que não posso subordinar minha forma de vestir a quem me olha na rua, e mesmo assim, considerar, um por um, os ‘pedaços de carne’ que aparecem entre as roupas.

 

Ir de metrô é uma diversão. Lutar pelos cantos dos vagões quando nem consigo me manter na ponta dos pés é algo inspirador. Tento também ir, todo fim de semana, à balada, pois me encanto quando alguém gosta de mim e me persegue por todo o local, agarra meu braço e me obriga a acabar com a distância mínima que eu preciso para respirar. Normalmente esse tipo de homem é aquele que vai me fascinar com um papo arrebatador, claro.

 

É ótima também a relação que mantenho com alguns amigos dos meus pais, que aproveitam os encontros familiares para me abraçar apalpando cada um dos meus relevos ou me beijando na ponta dos lábios, como se fossem incapazes de manter o desejo dentro da calça. Me faz sentir tão plena, que não me importo que não estejam nem aí para o que eu tenha que falar.

 

É lindo também ter saudades de alguns desses amigos que sumiram depois que eu reclamei de suas perseguições. As lembranças deles escrutinando meus peitos, esperando todo mundo sair para tentar me beijar ou do doce som da sua mão batendo minha bunda… Ah, que coisa gostosa.

 

Como é bom também o dia a dia, quando seu chefe faz menção ao seu decote questionando sua idoneidadepara fazer determinada coisa. Ou a cumplicidade dos (e das) colegas, que sempre questionarão que seu relativo êxito dependeu da sua ‘afinidade’ com esses mesmos chefes.

 

E que dizer dos taxistas e a segurança que eles são capazes de te transmitir quando olham você às escondidas pelo espelho durante toda a corrida? E que me dizem desses sites construtivos demais que animam a estuprar feministas ou mulheres em geral, porque “são todas umas putas”, e que as instituições públicas responsáveis demoram meses em tirar do ar? O que faríamos sem esses vídeos de estupros rolando na internet e sem essas imagens de mulheres decapitadas com honrosas justificativas nas legendas?

 

Pena que não me importe que me considerem “fácil” por transar na primeira noite. Se fosse assim, aí teria o pacote completo da felicidade.

 

Tomara algum dia eu não precise mais destes fetiches bobos para continuar amando ser mulher.

 

***

Abaixo, linkamos uma galeria bem bacana que a Folha publicou hoje, de leitores que se manifestaram. Aqui, reportagem com relatos de leitoras que se sentiram encorajadas em denunciar o abuso. Que ninguém que sofra com isso se cale é o que desejamos.

 

 

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Quando uma fênix me matou na cama

por Billy

 

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Quando terminei o “Fim de partida”, de Beckett, e acomodei o livro ao meu lado na cama, tive a sólida consciência de que nada mais aconteceria naquela noite nublada e fresca de domingo – afinal, concluir qualquer obra de Beckett já é uma considerável aventura.

 

Mas… ledo engano.

 

Ao dar a espiada de praxe no celular, também ao meu lado da cama, vi, no canto esquerdo alto da tela, aquele iconezinho maldito, a chaminha branca que de fato arde, que carrega alguma ligação mística com o órgão reprodutor (refiro-me ao masculino) – a notificação do Tinder.

 

Eu recebera uma mensagem de uma garota de quem, num desses preguiçosos movimentos dominicais, entre um bocejo e outro, havia gostado. Era a, hum, batizemo-la Priscylla, e as fotos a credenciavam como o diabo gosta: a primeira era só de rosto e em P&B, revelando lábios polpudos um pouco entreabertos, olhar desafiador, cabelos escuros se derramando numa face (que parecia) bonita. A segunda, mosaico da mocinha tocando violão e cantando, já mais à vontade, de vestidinho, desvendando uma pele bronzeada. A terceira, a fatalíssima auto foto em pleno banho de sol, com o rosto em primeiro plano e, lá atrás, uma única nádega muito bem apanhada, sabendo a firmeza (a outra estava escondida pelo rosto em primeiro plano); e, mais atrás ainda, pezinhos indolentes cruzados. E a quarta, o arremate final, a inevitável foto “selfie” feita com o celular no espelho, trazendo-a embrulhada num vestido bem curto, a pele novamente temperada pelo sol, pernas bem feitas que se sublinham na multidão, sapatos dourados com saltos bastante altos… enfim. Estendo-me nesses pormenores para que vocês entendam o que se deu a seguir.

 

O fato é que, após trocar algumas palavras rasteiras com Priscy – descobri que ela é empresária e que estamos a apenas um perigosíssimo quilômetro um do outro –, ela me convidou a ir visitá-la, assim, de sopetão. Vi que era sério quando ela escreveu “não tem cerveja, mas tem um prosecco no congelador”. Então avaliei os riscos: não fazia ideia de quem era a garota, evidentemente era uma tremenda fria, eu seria certamente assaltado, provavelmente currado e, com muita sorte, escaparia de ser fatiado e virar ração de rotweiller. Mas, nessas horas, todos sabemos de onde vem a voz de comando: claro que é lá de baixo, agudinha e abafada pela cueca. De modo que tomei uma ducha, meti-me em jeans e camiseta, deixei celular e cartões em casa e saí, ávido.

 

Eram já umas 23 e pouco e resolvi ir caminhando, mesmo, para que a fresca da noite aliviasse minha tensão. E depois de uns dez minutos lá estava eu no endereço que ela havia me passado, sobressaltado em frente a um prédio grande e moderninho. Apresentei-me ao porteiro torcendo para que ele dissesse que não tinha ninguém com aquele nome, que era tudo um delírio, mas não; logo ele abriu o portão para mim e indica o elevador – “tal andar, à esquerda”.

 

Lá chegando, respiro fundo e toco a campainha, sem mais aquela. A porta é aberta por uma mocinha espevitada, medindo um metro e cinquenta e algos, bastante desenvolta e à vontade nos trajes caseiros: shorts jeans curtíssimos, blusinha cheia de fendas e, importante observar, descalça, com pezinhos pequenos e bonitinhos. O resto dela também não era nada, nada mau: pele bem morena, desse tom particular de nossas fêmeas nativas, entre o doce de leite mineiro e a casca do cupuaçu; longos cabelos lisos e levemente clareados; cheia de formas, mas nada gorda; sorriso cativante e convidativo, que se abria para dentro de bochechinhas sapecas; e olhos que, logo no primeiro momento, dardejaram provocação e desafio.

 

Não esperava por nada daquilo, e fiquei desconsertado. Mas a naturalidade com que ela me recebeu e conduziu por seu dúplex pequenino e “mignon” até a varanda, onde ela havia instalado uma rede, aos poucos me reconsertou. Depois de resgatado o prosecco do freezer, ali nos sentamos, taças às mãos, dois pássaros noturnos empoleirados naquela insólita situação. Conversa fiada vai, conversa fiada vem, e eu, mais tranquilo mas ainda encabulado, emborcava o espumante com deselegante rapidez.

 

Mas logo me certifiquei de que ela era mesmo o que parecia. Fui ficando mais seguro, e, depois de um momento em que ela se levantou para fazer não sei o quê e empinou uma bunda imperial a cinco centímetros do meu nariz, trouxe-a de volta à rede e a beijei.

 

Mais uma surpresa: o beijo era ótimo, lento e sôfrego na medida, lábios macios e língua cônscia de seus deveres. Mas a rede estava desconfortável, e logo migramos para o sofá. Eu não tinha ideia de onde aquilo iria parar, apenas me deixava levar. Me levou de fato, pouco depois, “lá para cima”, para a espécie de mezanino onde ficava a suíte. Logo que chegamos ela já se livrou, por conta própria, do shorts e da blusa, e foi quando procurei de verdade por algum gorila fantasiado ou pelo saudoso Ivo Holanda.

 

Porque, não obstante ser Priscy uma delícia imerecida, não obstante seus seios de tamanho digno e durinhos, não obstante ser toda bem apanhadinha, quando ficou de costas para mim eu vi, juro que vi, sobrevoando o céu crepuscular da pele dela, um grandioso e escuro pássaro: claro, ela havia me falado dela, era a imensa tatuagem de “Fênix” que fizera havia alguns anos. A cabeça aquilina surgia na região austral das costas, e o corpo formidável, com asas semiabertas, estendia-se justamente pela nádega – e que nádega! – que naquela foto saíra oculta, e o resto da ave ia pela coxa.

 

Aquilo me desnorteou, e ativou mecanismos ocultos que jamais acreditei existirem em mim. Beijamo-nos um pouco mais, mas logo tratei de virá-la de costas e, ora contemplando aquela quimera noturna, ora enterrando a língua na fenda daquele magnífico “derrière”, tive a impressão que minha calça iria estourar.

 

Livrei-me dela e chupei-a por mais alguns minutos, até que um pezinho voluntarioso se chocou contra o meu peito, empurrando-me para trás; assim ela me ergueu, tirou minha cueca e, meio ronronando, colocou-me na boca, lenta e habilmente. Mas eu não aguentaria muito daquilo, e logo também a manuseei. Coloquei-a de lado, afastei-lhe as pernas e, vagarosamente, avancei naquele território úmido e acolhedor.

 

A essa entrada se seguiu um gritinho bem agudo dela, que depois novamente me empurrou para me deitar de costas e ficar em cima de mim. Então ela me cavalgou noite adentro, até as zonas desconhecidas da diluição feminina; e minhas palmadas naqueles dois tambores da bunda dela davam o ritmo desarranjado de tudo aquilo, junto com o nhéco-nhéco da cama. Assim ficamos, dois desconhecidos um para o outro, reunidos na cerimônia do coito, eu empenhado em fazê-la gozar, e ela, aparentemente, idem – e de fato, mais um mini-milagre nessa noite irreal, gozamos juntos, numa catarse que, ao menos para mim, foi sem precedentes.

 

Se a aventura tivesse se encerrado aí, juro que já me consideraria o mais feliz dos homens num raio de muitos quilômetros; porém, havia mais. Após uma justificável troca de afagos verbais, durante algo como quarenta minutos, novamente cedi aos encantos daquela ave fantástica.

 

Dessa vez, coloquei-a de quatro para perfurá-la; mas a “Fênix” apenas ia e vinha, indiferente às minhas desesperadas investidas, como se estivesse completamente consciente de seu poder sobre mim, e como se zombasse de meus esforços. Quanto a Priscy, ela estava alheia lá do outro lado da cama, gemendo cada vez mais, mordendo os lençóis e com a mão enterrada na minha cintura, como se me ajudasse a ferir a “Fênix”. Em vão, porque essa ficou imóvel, apenas me observando, até que, exausto, tombei para o lado como um pinheiro sem vida e sem folhas, ensopado pela seiva do suor.

 

Eu estava entregue. Num último gesto de rendição, sussurrei para Priscy que não iria gozar, ao que ela respondeu, desafiadora: “Não, é?”. E logo se enrodilhou toda lá para perto da minha cintura, recomeçou a me chupar, e me chupou, chupou até que de fato eu gozei; e, estranheza das estranhezas, logo depois disso, como ela estava deitada de lado, virada de costas para mim, juro que vi um daqueles olhinhos escarnecedores do pássaro piscando muito rapidamente, uma piscadela condescendente, que deixava bem claro quem detinha a soberania naquela noite tão improvável.

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Elogio, cantada ou agressão?

por Lia

 

Confesso que não sou dessas mulheres que mandam para o inferno quando são cantadas na rua por se sentirem agredidas ou afrontadas. Pelo contrário, não me irrita (ou não me irritava).

 

Mulheres que eu chamo (ou chamava) de feministas exageradas, que apregoam em todas as redes sociais como é desrespeitoso alguém falar um “nossa, mas você é linda” no meio da rua me cansam (ou me cansavam). Quando percebo a mania daquelas que repetem que não querem saber o que pensam delas o motoqueiro, padeiro, segurança, peão, coxinha, policial, vendedor de jornais, garçom ou o contemplador da vida, em geral eu bocejo (ou bocejava).

 

As três últimas prisões de homens nesta semana -e as 15 no decorrer do ano- por se esfregarem em mulheres no metrô de São Paulo me fizeram repensar toda esta preguiça que eu sentia com esses papos que pareciam desejar tornar-nos invisíveis.

 

Um dos homens foi preso por ejacular na perna de uma mulher dentro de um vagão. Como o “trem estava muito cheio, não aguentei”, se limitou a dizer o cara, segundo jornais. Na casa dos seus 20 e poucos anos, aparentemente instruído, como assim “não aguentei”? Até cachorro aguenta o xixi antes de um passeio. Quem não aguenta é criança começando a sair da fralda.

 

E esse marmanjo é um dos únicos que pode ficar preso e ser condenado. O entendimento é que, no caso dele, houve agressão Lógico, visto que a mulher foi atendida no hospital com uma luxação no braço, e só por isso!

 

Outros dois assinarão um chamado termo circunstanciado e devem ser, no máximo, condenados a trabalho voluntário, pois filmar as partes íntimas de uma mulher (o ato de um dos loucos) ou passar a mão na coxa de outra (a cretinice do segundo) é considerado, no Brasil, “crime de menor potencial ofensivo”.

 

Apesar de minha consciência achar injusto que uns paguem pelo erro dos outros, tem pesado mais na minha balança o fato de que prefiro que nenhuma mulher receba elogios para poupar outras de passarem pelas situações descritas acima.

 

Eu, que sempre achei que cantada poderia sim ser elogio, não acho mais. Vocês, queridos homens, perderam (ao menos por enquanto) uma defensora do direito da liberdade de expressar sua admiração pela beleza da transeunte.

 

Estamos nós aqui, duas mulheres falando de sexo abertamente, de poréns da vida moderna sem medir palavras, de conquistas que consideramos ter obtido. Fazemos ode ao fato de termos nos concedido a permissão de ter prazer com quem e onde bem entendemos. E isso pode não ser visto como avanço, mas como provocação?

 

Mas, como assim, uma mulher corre o risco de ser vista como provocadora por causa de uma roupa curta? Pois foi o que indicou uma enquete com internautas em um grande portal, que perguntou qual é a melhor forma de evitar assédio no metrô. A maioria indicou “usar roupas menos ousadas”.

 

Você, querido homem que mancha o que tantos outros respeitam, acha que tem o direito sobre o outro até esse ponto? Acha que mulheres devem ser segregadas em vagões exclusivos?

 

Vocês que nos elogiam com educação, mais do que as mulheres que lutam pelo seu direito de serem mulheres, deveriam ir às ruas para evitar que esses homens-monstros continuem a propagar esse machismo por aí.

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Os ‘não amores’

por Ana

 

Os não amores são capazes de segurar você durante horas na frente de uma tela, de conseguir uma resposta imediata e cuidadosa a um e-mail, de inspirar o envio de uma melodia garimpada dentre cem listas de reprodução. Com eles, você fala de livros, de música, até de poesia.

 

Eles são capazes de acabar com um matrimônio.

 

O engraçado dos não amores, apesar de parecer o contrário, é que você não acaba na cama com eles. Em algum momento, isso acaba por ser o menos importante.

 

Os não amores aparecem por coincidência, no trabalho ou em uma viagem. A aproximação com eles não é a habitual de macho-fêmea, é uma aproximação de pessoas. Interessadas uma na outra, além da genitália.

 

As conversas começam a surgir e não terminam. Você acaba por acordar de manhã pensando onde ele ou ela está, aguardando uma mensagem na tela do telefone.

 

Ele nunca se enquadrou no perfil de pessoa da sua vida, mas ele ou ela te escuta. As conversas chegam aonde seu parceiro nem sonha e se tornam tão comprometedoras que você pode se considerar tão infiel que resolve desativar o aviso de chegada dos e-mails -que àquela altura já são dezenas por dia. A tela não pisca mais, mas você procura a cada hora na pasta destinada às suas conversas.

 

Na verdade, você não faz nada além de cultivar um amigo, oras. Mas os padrões, e as amigas, te dizem que você está indo longe demais. Que bater papo às 3h da manhã para se consolar pelo rumo que está tomando a humanidade não é algo assim, digamos, comum entre amigos.

 

não amores mais perigosos, os que você vê habitualmente. Ou todos os dias. O que acelera as revoluções do ‘não romance’ e a vontade de por um nome a esse conceito vago entre amizade e atração -digamos- espiritual (não, não é realmente apenas sexual). Esses dois personagens acabam ficando a sós em algum lugar, e acontece o batismo.

 

Chegados a esse ponto, onde cada um pode experimentar diversas sensações, que vão da frustração, arrependimento ou vontade incontornável de criar uma nova família, o parceiro ou parceira já está lendo seus e-mails. Imperdoáveis.

 

Fale a “verdade”, que não houve sexo. Minta e diga que nunca nada aconteceu. Não importa. A traição com um ‘não amor’ dói muito mais que qualquer punheta mal feita.

 

Nos seus e-mails estará exposta sua vontade de viajar com ele (ou com ela), os medos que você nunca compartilhou com outra pessoa, as inseguranças (mas também os sonhos) daquilo que você nunca fez. As reflexões que, há tempo, sumiram das conversas do seu relacionamento.

 

Ele provavelmente não entenderá como essa traição é pior que noites de tesão resolvidas em um motel. Ela, arrisco a afirmar, entenderá perfeitamente a dimensão do significado e dificilmente perdoará. Também assumirá que pecou e, não descartem, que acabe nos braços do ‘não amor’.

 

Eu já tive dois desses. No primeiro os dois estávamos comprometidos, chegamos a pensar que nos amávamos, mas nunca aconteceu nada além de cafés de manhã clandestinos e milhares de e-mails. Sua mulher o pegou e apesar dos anos nunca lhe perdoou. Ele ainda tem que manter nossa amizade (muito mais transparente e clara que na época) em segredo. O outro foi um não amor adolescente, que me disse francamente que deixaria tudo por mim, mas que não seria meu amigo se eu não aceitasse.

 

Saí correndo. O não amor é isso mesmo.

 

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História (de sexo) de uma crossdresser

O depoimento abaixo foi enviado por Bruninha Loira Sapeka, escritora, crossdresser (se não sabe o que é, leia o texto!) e autora do livro “Segredos de uma crossdresser cdzinha”.

 

Adoramos o texto. E esperamos que vocês nos escrevam para contar mais.

 

***

 

por Bruninha

 

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Crédito: http://suckmypixxxel.tumblr.com/

 

Ao voltar de uma noite de autógrafos de meu livro, realizado na cidade de Natal – RN, cheguei ao aeroporto com bastante antecedência e fiquei sentada no saguão, aguardando o check in. O tempo parecia não passar. Avistei um rapaz alto, aparentando uns 28 anos, moreno claro, cabelos lisos e bem pretos, olhos verdes com a barba bem aparadinha, terno preto e com uma maleta em punho.

O rapaz sentou-se ao meu lado. Senti seu perfume amadeirado e gostei. Seu celular toca, ele atende todo carinhoso, perguntando como estavam as crianças e como estava (ao que me pareceu) sua esposa. Foi nessa hora que percebi uma enorme argola dourada em seu dedo…

 

Após ele desligar o telefone, puxou conversa comigo. Contou que viajava a trabalho e que era um analista de sistemas. Em pouco tempo sabia praticamente a vida dele toda. Sem ter mais o que contar, ele começou a perguntar sobre a minha.

 

Em outras situações eu omitiria muita coisa, principalmente minha orientação sexual, mas aquele homem era muito bonito e resolvi contar que eu era uma crossdresser e estava na cidade a trabalho. Ele pediu desculpas, mas me disse que não sabia o que era crossdresser. Foi então que falei que crossdresser era um transgênero, que transita entre os gêneros, travestindo-se, e que existem crossdressers heterossexuais, bissexuais, mas eu era uma cdzinha (termo carinhoso de crossdresser) homossexual.

 

Ele continuou sendo muito educado e perguntou qual era o nome feminino que eu utilizava quando me travestia. Respondi. Ele sorriu e soltou: vivendo e aprendendo.

 

Como percebi certa curiosidade por parte dele, falei para jogar meu nome em um site de pesquisa e logo apareceriam minhas imagens, meus vídeos hospedados em sites adultos e também meus contatos. Curioso,foi justamente o que ele fez.

 

Quando ele viu minhas imagens e meus vídeos, disse:

 

- Nossa é você mesmo? Ficou bem feminina.

 

Ele então se soltou. Me disse que nunca tinha se relacionado com pessoas assim, porém sentia uma enorme vontade de praticar sexo anal, coisa que sua esposa já havia deixado bem claro que jamais faria. Disse que se casou cedo e nunca havia praticado com alguém. Foi então que meu interesse por ele aumentou consideravelmente, pois tenho um fascínio por homens casados…

 

O tempo passou, ele embarcou para São Paulo, e a vida continuou.

 

Eis que, alguns meses depois, recebi um e-mail dele, dizendo que gostaria de me encontrar. Fiquei eufórica em saber que aquele maravilhoso homem me procurou na internet, felizmente encontrou e, melhor ainda, estava com segundas intenções…

 

Marcamos em uma quinta-feira após o expediente, em um motel. Eu preferi chegar primeiro para me produzir e esperá-lo, linda.

 

Quando ele estava por perto me telefonou e informei o número do quarto -já tinha avisado na recepção que eu estava aguardando uma pessoa e que ele poderia entrar direto. Geralmente os casados preferem entrar separadamente em motéis, por isso fizemos desta forma.

 

Enquanto eu aguardava, coloquei meia luz para dar um clima agradável, televisão em um canal adulto, para que o encontro não fosse apenas uma conversa e ele percebesse minhas reais intenções.

 

Ao ouvir a campainha caminhei ao som de meu salto alto, abri a porta e lá estava aquele homem lindo, com roupa esportiva, totalmente diferente de quando o conheci. Ele me deu um beijinho no rosto e caminhamos até a cama, nos sentamos e começamos a conversar.

 

Perguntei por que ele estava vestido daquela forma e ele me respondeu que disse à esposa que iria correr. Ele elogiou meu bom gosto e disse que eu tinha ficado bem feminina, devido à produção, maquiagem e delicadeza. Eu agradeci.

 

Foi quando notei um enorme volume em sua calça de moletom. Perguntar se aquilo era um celular, mesmo já sabendo que a resposta era algo muito melhor…

 

Ele não me respondeu, foi mais ousado, tirando para fora daquela calça um pau enorme, com uma cabeça em forma de cogumelo e bem vermelho. Não pensei duas vezes e caí de boca, saboreando cada centímetro, não me esquecendo das bolas. Ele, de tanto tesão, pediu para que parasse. Mesmo com a calça no meio de suas coxas, se levantou e me pegou no colo e me colocou no centro da cama, me virando de bruços e colocando minha calcinha de lado, já na posição de quatro. Vestiu seu maravilhoso pau com uma camisinha e em poucos segundos eu sentia cada centímetro me penetrar.

 

Sentia suas bolas baterem em um som abafado e gostoso em movimentos de vai e vem fortes e profundos, às vezes tapas nas nádegas seguidos da palavra gostosa completavam aquela sinfonia deliciosa.

 

Naquela posição, os movimentos que já estavam fortes aumentaram mais ainda com o anúncio que ele estava prestes a gozar. Senti ele me segurar bem forte pela cintura, e juntos chegamos ao orgasmo de forma intensa e inesquecível.

 

Ele não podia demorar muito no local, então logo vestiu-se, verificou no celular as inúmeras ligações não atendidas, provavelmente da esposa, me disse que precisava ir e que tinha gostado muito.

 

Falei pra ele tomar banho, mas ele me respondeu que precisava chegar em casa suado, pois afinal, para todos efeitos, ele estava correndo…

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Ele te empurra ou te penteia?

por Ana

 

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Crédito: suckmypixxxel.tumblr.com

 

Junte no mínimo dois homens, ou duas mulheres, e uma taça de vinho. Espere meia hora e veja como a conversa borbulha rumo à intimidade dos lençóis. E no caso das mulheres, com uma enorme capacidade para rir de si mesmas, já que elas não entendem de egos testosterônicos.

 

A mulher dificilmente vai ocultar um fracasso sexual. Pelo contrário, ela vai ridiculizá-lo, mesmo sendo ela a responsável pelo desastre. Mas, às vezes, também somos cruéis…

 

 

 

Mas ele empurra ou estica?, me perguntaram. A metáfora quase me escapou entre os risos coletivos. A explicação era bem simples.

 
- Tem aquele que estica seus cabelos e te come de um jeito selvagem e que, com certeza, acabará dormindo fora da sua cama após um biquinho de despedida. Esse é o perfil que acaba fazendo você se sentir mal. Mas pior é aquele que não se toca e só penteia seus cabelos com a inocência dos filmes da Disney. Isso é foda!

 
Entendi perfeitamente do que estavam falando. Essas duas categorias se perfilam visivelmente em cada um dos meus amantes. E imagino que também em mim e nas minhas amigas. Mas não vêm marcadas a fogo… Há temporadas de empurrar e outras de pentear.

 

O sucesso parece estar, como sempre, na meia aristotélica. Naquele parceiro que te leva ao êxtase entre suores frios e tremores, mas que sabe comemorar o êxito te acolhendo entre seus braços enquanto acaricia seus cabelos.

 

 

Já tive os dois.
E são igual de ruins.

 

Fiquei meses com um cara com quem pirava na cama. Com ele namorando, nossos encontros se reduziram às primeiras e últimas segundas de cada mês. Éramos inclusive ‘amigos’, depois de tanto tempo, e sentíamos um carinho mútuo, mas silenciosamente nós dois adotamos o código do empurrar, cientes de que “acariciar nossos cabelos” só complicaria o caso.

 

Como era de esperar, chegou uma hora em que essa vontade de sexo que ele me provocara se esfumaçou diante da falta absoluta de romantismo. O sexo selvagem e libertador que ele me proporcionara perdeu a graça entre o leque de posturas de filme pornô que parecíamos estar ensaiando, e que acabou me entediando profundamente, como à protagonista de “Ninfomaníaca”. A magia acabou, além do mais comecei a detestar sua dupla vida, porque os abraços começaram a valer mais que as investidas. Sim, sou uma fã do sexo sem amor, mas para sexo vazio, prefiro aprender a fazer tricô.

 

Por outro lado, tive um amante inteligente que usava a língua (portuguesa) deliciosamente. Mas só a portuguesa… A sua ficava na boca. Nossos encontros eram gostosos pela conversa, a naturalidade, mas na hora da cama, ele gostava de amar-me. Literalmente. Carícias, beijos, sussurros, massagens, cabelo por aqui, cabelo por ali… E nem uma cutucada com o pau duro. A história era como de conto de fadas, mas não aguentei muito tempo esperando a paixão que pressuponha que devia dominar-nos.

 
Há um tempo que seguro comigo o que consegue me oferecer as duas coisas em acertadíssimas doses. E se ele ficar com outra, sem dúvida, prefiro que empurre a que penteie.

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